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Loterias e Factoring na Mira

De acordo com Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do Coaf, o combate ao crime financeiro depende de iniciativas como o Projeto de Lei nº 3.443, uma atualização da Lei nº 9.113, de 1998, que tipificou os crimes de lavagem de dinheiro no Brasil. Segundo ele, as loteriais estaduais estão na mira do Coaf, já que nem todos os governos de Estado repassam as informações relevantes para o órgão.

Falando ao Correio Braziliense, Rodriques mencionou também a intenção do órgão em conseguir maior controle das empresas de factoring, que antecipam receitas ao setor produtivo comprando, por exemplo, notas promissórias e duplicatas. “Estamos fechando acordos com entidades que representam as factorings e os corretores. Nossa intenção é que a Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil (Anfac) e o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) exijam o fornecimento de informações suspeitas de todos os seus associados”, conta.

Para se medir a importância desses setores, desde 1998, o Coaf recebeu 10.270 comunicados sobre negociações de imóveis com irregularidades à vista e 45.143 de factorings, prossegue a reportagem do Correio.

“No mundo inteiro, o sistema financeiro, que engloba os bancos, as bolsas de valores, as seguradoras e os fundos de pensão, é o mais regulado pelas autoridades. Mas não podemos nos prender a ele”, frisa Rodrigues, ressaltando a importância de uma cooperação da Receita Federal para que o combate aos crime se amplifique.

O Fisco, acredita o presidente do Coaf, tem amplas condições de traçar um perfil mais claro das empresas que não têm obrigação de comunicar operações suspeitas de lavagem. “Seria importante, por exemplo, que todas as compras acima de R$ 10 mil fossem imediatamente comunicadas à Receita, como ocorre nos Estados Unidos e da Europa”, diz. “Com certeza, poderíamos focar nossa trabalho na inteligência. Hoje, temos 45 funcionários para fazer tudo”, acrescenta.