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* Entrevista Alexander Schmitz–Kohlitz.
RB - A Polics surgiu a partir da Politec, com quem mantém um relacionamento próximo em algumas áreas de desenvolvimento. Como a empresa está aparelhada atualmente?
Schmitz – Somos uma empresa totalmente focada na plataforma SAP. Isso é importante porque nos traz uma diferenciação e especialização. Contamos com um leque de soluções próprias, desenvolvidas sobre a plataforma SAP, além de uma fábrica de software na linguagem ABAP (de desenvolvimento em SAP) com o certificado CMMI nível 3. É o primeiro no Brasil com este patamar de qualidade, o que nos dá confiança de atuar em grandes projetos, além do domínio na linguagem NetWeaver. Somos um provedor completo. Só não provemos serviços de data center, o que é feito em parceria com a T-Systems.
RB – Como a Polics pretende posicionar sua oferta para os bancos?
Schmitz – Estamos preparando o terreno para atuar com a chamada convergência contábil. É que o Brasil vai passar por uma importante mudança de contabilidade em 2010, quando, por conta de acordos internacionais, irá adotar a norma internacional IFRS (International Financial Reporting Standards – padrões de contabilidade adotados pelo IASB - International Accounting Standards Board). Além de impactar as áreas internas com novos processos, exigindo adaptações das ferramentas, haverá um impacto no legado de informações.
RB – Explique, por favor, porque este impacto sobre o legado...
Schmitz – É porque a IFRS exige que a empresa tenha um histórico pregresso de três anos, ou seja, não vai bastar aos bancos adaptar processos internos em 2010. Eles precisarão resgatar uma série de dados nos formatos exigidos para 2009, 2008 e 2007. Só que, pelas consultas que fazemos aos clientes, o que vemos é que o mercado financeiro ainda não está dando a devida importância a essa mudança.
RB – O que a Polics vai oferecer para suprir essa necessidade?
Schmitz – Temos um pacote pronto e que usa a experiência contábil que a SAP adquiriu ao ajudar na migração para a norma IFRS na União Européia, na forma de um produto pronto e que vai ajudar o setor financeiro nesta transição.
RB – Voltando a falar da CMMI 3, como foi a obtenção desta certificação?
Schmitz – Foi um processo natural, a partir da experiência da Politec, que tem o CMMI-5, o mais elevado neste modelo. Então, ao longo do nosso processo de desenvolvimento, herdamos todo o rigor e as melhores práticas, o que facilitou adaptarmos as exigências do CMMI para o universo SAP. Atualmente somos o único fornecedor especializado do mercado com prática em ABAP e CMMI.
RB – Que tipo de oportunidade essa certificação cria para a Polics?
Schmitz – Somos o único fornecedor de ABAP do Itaú, e conseguimos isso porque eles têm grande rigor quanto ao relacionamento com fornecedores de tecnologia. Com a instituição, temos três SLAs separados, sendo dois de prazo e um de qualidade. O primeiro é o prazo de aceitação a partir de uma especificação enviada por eles, em que temos um limite de tempo para responder se vamos executar ou não o projeto. O segundo é o prazo total de projeto, do recebimento da especificação até a entrega do código final, e o terceiro é um SLA de qualidade. Além de mantermos este cliente de peso, o rigor nos permitiu ganhar um importante contrato com o Grupo Votorantim.
RB – É verdade que o Itaú reescreveu uma RFP em função deste modelo de oferta?
Schmitz – Num certo período, quando o Itaú soltava uma RFP inicial, nós respondíamos ao pedido com detalhes como a FPA (Function Point Analysis), ou análise de ponto de função, uma medida de desenvolvimento. Só que nós éramos a única empresa que respondia com FPA, enquanto as demais não dispunham deste dado por não contarem com metodologia específica. O Itaú precisou reescrever a RFP por taxa-hora, que era a medida de mercado então, senão eles não teriam como comparar as ofertas de serviços.
RB – Quem são os clientes do setor, além do Itaú?
Schmitz – Temos muitos clientes entre bancos, corretores e financeiras, além do setor de tesouraria das empresas. Não é um tipo de cliente que seria considerado financeiro, mas nós os vemos desta forma porque muitas vezes as áreas financeiras destas organizações precisam fazer trocas de dados com os bancos. Além do Itaú, atendemos a rede Ibi, o Santander, que tem uma implantação mundial e que está sendo estendida ao Brasil, quatro das cooperativas de crédito Unicred, o fundo de pensão Cassi e a Sax, a financeira das Lojas Marisa, apenas para citar alguns. Além de projetos de implantação, provemos serviços de treinamento para SAP, gestão, metodologia, PMI para gerenciamento de projetos e implantação de soluções específicas para bancos.
RB – De que tipo de aplicações estamos falando?
Schmitz – A plataforma SAP dispõe de diversas soluções para bancos. Tomemos por exemplo um novo projeto de empréstimos: demoraria pelo menos seis meses desenvolver um módulo específico, mas ao fazermos um projeto na Polics, o código pode ser aproveitado com rapidez. Além disso, contamos com modelos pré-configurados que podem ser rapidamente adaptados e até produtos complementares à SAP. Um exemplo seria o módulo de informes legais que gera diversos pacotes de dados a partir das informações colhidas no ERP.
RB – Fala-se em carência de pessoal com formação em TI no Brasil, como a Polics está vendo esta questão?
Schmitz – O mercado latino-americano de SAP cresce mais que a Ásia, a uma taxa de 30%. Com esta taxa, o que acontece é que faltam consultores especializados, o que também eleva o preço desta mão de obra especializada, encarecendo os projetos como um todo. Para se ter uma idéia, numa nova implementação, para cada dólar gasto em software, entre quatro e seis dólares são gastos em implementação. A SAP tem uma meta de baixar este valor para algo entre dois e três dólares. Como? Inundando o mercado com consultores para baixar a taxa de hora do consultor. Para tanto, a SAP lançou um programa mundial e que tem por meta treinar um grande volume de consultores até 2010, no que estamos incluídos. A SAP também se comprometeu a treinar o pessoal nas faculdades.
RB – A Polics pretende entrar no filão de soluções para o consignado?
Schmitz – Isso mesmo. Criamos um módulo para controle do empréstimo direto e que controla as taxas de comprometimento do funcionário com o consignado e que pode valer também para atender a demanda futura do crédito imobiliário.
RB – O processo de internacionalização da Polics está realmente em curso?
Schmitz – Nossos planos prevêem a internacionalização da empresa a partir de 2008. Queremos expandir nossa atuação para os mercados asiáticos, com atuação em China e Japão, além de Estados Unidos e América Latina, esta última não sendo tão difícil quanto os outros mercados. Agora, quando vamos para os EUA ou a China, é preciso estruturar muito bem a oferta. O Brasil tem uma grande vantagem que é o domínio avançado da plataforma SAP para o mercado financeiro, o que faz do País um benchmark em algumas áreas para o resto do mundo. Neste sentido, estamos sentados sobre uma mina de ouro que é o setor bancário. Vamos exportar isso.
No mercado chinês, por exemplo, constata-se uma pobreza de infra-estrutura bancária, crédito ruim e falta de controle sobre empréstimos, o que pode impactar futuramente o crescimento daquele país. Mas nós já firmamos um acordo com um parceiro na China para estabelecer uma posição naquele mercado. Além disso, vamos participar do evento mundial que a Forrester organiza nos EUA para o setor financeiro. A partir disso, queremos criar pontos de venda nos EUA e Europa, para dar início a esta expansão já no próximo ano.
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