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CPM Braxis Aposta na Maturidade

RB – Se pudesse fazer uma provocação para o mercado financeiro, qual seria?
Minas - O setor financeiro é maduro em uso de TI, foi a área que mais desenvolveu procedimentos e governança para adquirir produtos e serviços no mercado e daí vem o meu comentário: às vezes o desenvolvimento de como comprar foi tão agressivo em redução de custos que há uma miopia em relação aos ganhos, a qualidade e vantagem competitiva. A pressão excessiva por preços, se levada a extremos, pode ser prejudicial. O setor publico sofre muito com isso, por conta da Lei 8666. E isso vale ainda mais em serviços. Em hardware e software há equalização na oferta, mas não em serviços. Vejo, portanto, uma falta de agressividade dos bancos em experimentar coisas novas. O setor é quase conservador nas decisões, o que limita o quanto a tecnologia pode ajudar o negócio bancário.

RB – Qual é a representatividade do segmento financeiro para a CPM Braxis?
Minas – É muito importante. Pela performance apresentada em 2007, o segmento de finanças continha sendo o carro chefe da companhia, respondendo por mais de 50% da receita total da empresa, crescendo numa taxa de dois dígitos em relação ao ano passado, portanto mais que a média o mercado. Por conta dos projetos já acertados, o mesmo deve se manter neste ano, já que a demanda de TI em finanças está muito aquecida, além do que, há uma tendência dos bancos criarem relacionamentos de longo prazo nos projetos em função de facilitar a governança.

RB – É possível discernir quais são as demandas mais aquecidas no setor?
MinasO principal continua sendo a preocupação com a redução de custos operacionais e soluções tecnológicas que permitam aos bancos reduzir estes custos. Também está intensa a procura por serviços de outsourcing em toda a parte de desenvolvimento de aplicações, mas com uma mudança progressiva em relação ao modelo de body shop do passado, numa transição rumo a modelos mais sofisticados de relacionamento, com contratos de SLA por trás regendo as demandas. Fora isso, detectamos uma tendência muito forte de BPO e estamos nos preparando para pegar esta onda. Outra demanda importante foi o investimento em servidores e tecnologias de consolidação e virtualização de sistemas e, do lado das redes, a implementação de backbones mais robustos para dar suporte à convergência de dados de voz, imagem e projetos específicos, o que também aumenta a disponibilidade das conexões. Como já vem acontecendo há alguns anos, a governança está no topo da prioridade dos CIOS em bancos e o que eles querem? Ter informação no formato correto para passar para a organização, sabendo de que forma a TI está impactando o resultado do negócio e, no lado externo, atender às regulmanentações do BC, da Sox e Basiléia II.

RB – Qual é a importância de metodologias de gestão de TI para o relacionamento com a área financeira?
MinasÉ grande, porque facilita a entrega de produtos e serviços segundo as especificações do cliente. Vemos que a adoção de metodologias estão permeando todas as ferramentas e ambientes produtivos, afetando o desenvolvimento de novas soluções desde sua concepção. O bom é que todos estes métodos garantem um nível profundo de revisão, garantindo a qualidade final. Os bancos investiram muito em metodologias e na compra de ferramentas para automatizar o fluxo de trabalho, reduzindo os erros e também diminuído a ocorrências como a interrupção no funcionamento dos sistemas, além de reduzir o  time-to-market de novas soluções, embora este último item seja intangível, difícil de medir.

RB – O Bradesco ainda é o cliente de maior peso para a empresa na área financeira?
MinasÉ um cliente importante, mas está longe de ser o único. Todos os grandes bancos brasileiros são nossos clientes há mais de 20 anos e a CPM também atende, além do Bradesco, bancos como Itaú, Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, outro importante cliente de grande porte.

RB – O fato do Bradesco ser um sócio da empresa não criava atritos?
Minas Nem tanto. Soubemos mostrar que a proximidade com o Bradesco não era um problema e sim uma vantagem, dado o nosso nível de especialização e a sofisticação. Hoje sempre somos lembrados como um grande fornecedor para a área. É bem verdade que não há um cliente com o peso do Bradesco na nossa carteira, mas, em compensação, não há nada vendido a este banco e que também não esteja em atividade em outra instituição financeira. Além disso, nossa atuação passou por mudanças e, nos últimos três anos, passou a incluir consultoria em TI para esta vertical de negócios, onde entram projetos de melhorias na infra-estrutura de tecnologia. Outro ponto positivo da CPM é que os bancos do Brasil nos vêem como um fornecedor com um grande volume de profissionais especializados e com expertise confirmada em inúmeros projetos.

RB – Como a CPM vê o mercado de BPO? A Febraban e vários bancos vêm fomentando esta discussão no mercado nos últimos tempos, mas muitos bancos ainda insistem  na terceirização apenas de operações marginais ao negócio.
Minas - Concordo em que a Febraban vem insistindo na padronização de documentos e processos, condição necessária para que você tenha terceiros com mão de obra especializada, portanto mais preparados e prontos a fornecer serviços nesta modalidade. Por enquanto, só vemos alguns bancos assinando contratos de BPO, ou seja, ainda falta muito a ser padronizado.  Sobre a hesitação em terceirizar, acompanhamos o debate dentro da Febraban e vemos que a discussão esbarra em questões políticas dentro dos bancos e em legislação, que impede digitalizar algumas partes atualmente. Estamos falando de truncagem de documentos e na prevenção de fraudes. O BPO nos bancos tem um complicador adicional: se, em um processo, o risco for repassado para o terceiro que está provendo o BPO, de quem é a responsabilidade frente aos marcos regulatórios? E isso está em discussão. Se não for resolvido, pode haver um limite para o que pode ser terceirizado. Mesmo assim, para este ano, 2008, vejo o BPO mais forte em áreas como cartão de crédito, onde é possível terceirizar toda a parte operacional, da captura da transação até o feedback para o cliente final do banco, com exemplos como a Fidelity que entrou no Brasil só pra fazer isso, deixando o banco com o marketing e planejamento do produto. E tem o formato de atuação do backoffice, em retaguarda, e nesse caso, o volume maior está no gerenciamento de documentos, sejam cheques, fichas de compensação, contratos. Tudo isso gera um processo difícil e caro de captura, armazenamento e transporte, entre outros.

RB – Como vocês estão tocando o processo de expansão regional?
Minas - Nosso projeto é de fazer da CPM Braxis uma das dez maiores provedoras de serviços de TI no mundo, o que é um objetivo bem agressivo. Hoje temos 6 mil profissional, forte atuação em diversos setores e vemos que só atender o mercado domestico não será suficiente. Vale lembrar que a Braxis foi criada há dois anos com foco em exportação. Como tinham experiências parecidas, as duas empresas optaram pela fusão. O projeto de internacionalização é a principal prioridade, com focos nos mercados norte-americando e o hub europeu a partir de Londres. Nossa estratégia passa pelo foco no eixo financeiro Nova York-Londres e em manufatura. Exportamos softwares sob encomenda no modelo de offshore, o que está nos dando boas oportunidades, já que os grandes clientes precisam o risco de concentração de operações e desenvolvimento na Índia, ao que nós adicionamos a oferta de aplicações, serviços de infra-estrutura, NOC, SOC, tudo a partir do Brasil e atrelado a serviços.

RB – Existem barreiras para esta oferta?
MinasAlgumas. O Brasil tem qualificação técnica, nossos custos são competitivos. Mas o domínio do idioma ainda é uma barreira. Nós, os executivos, erramos. Ao testar na pratica, o domínio do inglês é muito ruim, insuficiente para manter um relacionamento negocial, o que é básico no processo de outsourcing.  Mas a oportunidade está aí e nossa expectativa é de que em três anos, um terço da receita provenha do mercado externo. Já faturamos mais de US$ 500 milhões/ano atualmente.

RB – Então, nossa experiência em finanças está garantindo a receptividade na área de TI?
Minas - A afirmação é correta mas precisa ser mantida no contexto certo. A expertise vale para bancos de varejo, mas não para áreas de serviços financeiros em geral. Quando falamos de asset management, o escopo é muito diferente do que conhecemos no mercado financeiro brasileiro. Em varejo somos bons não só em tecnologia, mas também em produtos financeiros, tanto é que damos um baile em bancos internacionais. Só que acontece que lá fora há nichos específicos que são muito fortes. A demanda de TI para bancos de investimento é quase tão forte quanto em bancos de varejo. Em comercial e retail, nadamos de braçada. Mesmo assim há uma maior receptividade. Há cinco anos, eu explicava para o interlocutor de um banco europeu e americano sobre porque eu estava lá. Essa fase passou. O Brasil já está no radar dos compradores e os analistas nos indicam como um fornecedor. Hoje já somos convidados para as grandes RFPs mundiais. Nossa demanda maior é conseguir recursos humanos para atender a esta demanda. Não deixa de ser problema mas é um problema mais agradável. Nós até temos técnicos com capacitação, mas a somatória desse profissional mais inglês ainda é gargalo.  Quando tem a experiência, não tem o idioma, e quando tem o idioma, não tem a experiência. É uma deficiência que precisamos superar.