Perto Aposta na Renovação do Parque de ATMs
Entrevista com Marco Aurélio Freitas, diretor comercial e de marketing da Perto
RB – Como vão indo os negócios do segmento e o que há de novo na seara dos ATM?
Freitas - O mercado está muito aquecido em função da expansão de novos pontos de atendimento. Além disto, se inicia agora o ciclo de renovação do parque instalado na maioria dos usuários. Sobre tendências e novidades, um bom termômetro será o CIAB 2008. Certamente haverá novidades relacionadas principalmente a itens de tecnologia que começam a ser absorvidas pelas ATMs, como biometria, imagem e integração de aplicações de atendimeto.
RB – O compartihamento de ATMs pode se tornar um fenômeno poderoso o suficiente para funcionar como um obstáculo à expansão do parque e, portanto, às vendas de novas unidades?
Freitas – A aquisição de novas ATMs para redes próprias e o compartilhamento são questões que o setor financeiro trata em paralelo. É verdade que alguns bancos têm feito esforços neste sentido e há redes compartilhadas crescendo, mas acreditamos que as redes próprias ainda vão prosseguir por um bom tempo.
Eu mesmo trabalhei por 15 anos no Bradesco - tendo acompanhado o tema compartilhamento nos últimos oito anos – e constato que cada banco tem uma estratégia particular e uma necessidade específica ao fazer compartilhamento. É um assunto que ainda demanda discussão e é, sob alguns aspectos, similar à questão do outsourcing, na qual se entrecruzam questões de eficiência e custo que demandam longa análise e discussões bastante demoradas.
RB – Fale mais sobre o movimento de reposição do parque, por favor...
Freitas – Lembre-se que, dentro do parque de 160 mil máquinas, existem algo entre 5 mil e 8 mil que estão no final de sua vida útil, com mais de 8 anos em funcionamento. A verdade, aliás, é que a renovação já vem ocorrendo, como se vê por pedidos de compras feitos por entidades como o Banco do Brasil, que comprou 10 mil máquinas para substituir antigas, e como como a Caixa Econômica, que comprou outras 10 mil. Somados, os bancos privados deverão comprar cerca de 30 mil máquinas só neste primeiro semestre. Entre aquisições para pontos novos, esperamos ter pelo menos 40% deste mercado.
RB – Quas são as próximas funcionalidades que não poderão ficar de fora dos terminais daqui para frente?
Freitas - A Perto tem apresentado ao mercado soluções diferenciadas e customizadas. É claro que estamos atentos também àquelas necessidades usuais que contemplam a maioria das transações realizadas nas redes de auto-atendimento, como saques, pagamentos e extratos. As funcionalidades que devemos agregar em novos produtos são as com perfil de máquinas modulares e com múltiplas funcionalidades, como sacar, receber, retirar extratos, retirar folhas de cheques, escaneamento de cheques e documentos, além de aceitadores de cédulas. Todas com ênfase na segurança. Nossa área de P&D tem alocado seus melhores recursos em dois focos: sustentabilidade nos projetos da base instalada e na inovação.
Fora isso temos uma linha de produtos voltados à acessibilidade e totalmente adequados à norma NBR 15250. Nós inclusive participamos das discussões para a formatação da norma, sendo um dos primeiros fornecedores a entregar uma máquina aderente a estes requisitos, o que nos valeu um projeto de cinco mil ATMs para a Caixa.
RB – Como enfrentar o duplo problema da commoditização e da concorrência com gigantes industriais ou financeiros?
Freitas – Obter diferenciação em um produto que virou commodity não é tarefa fácil. Às vezes, o fabricante que pensa seus produtos fora do País tem dificuldades em adaptá-lo se o cliente precisar de customização. E isso é o que fazemos ao trabalhar com flexibilidade, agregada a serviços, de forma que o cliente possa realmente opinar sobre a solução e ver incorporadas ao produto as suas sugestões.
RB – O avanço de meios como celular e web não pode impactar contra as vendas de ATM?
Freitas – Não creio. Sempre teremos transações que precisaram acontecer no caixa eletrônico e como saques e depósitos. Durante o CIAB iremos mostrar como nossos dispositivos podem oferecer um salto enorme no atendimento à base de clientes dos bancos, com ganhos substanciais em relação à logística e à agilidade do processo, permitindo a guarda de documentos físicos e a disponibilidade da informação numa base online.
RB – Não está na hora de levar aplicações de captura de imagem para o ATM?
Freitas – Isso é tecnicamente possível. O que estamos discutindo, na verdade, é que, com esta tecnologia, em vez de uma complexa e constante estrutura logística para a retirada de documentos no terminal, poderíamos ter uma rotina de retirada programada em intervalos maiores, sendo que a transação, seja um cheque ou outro documento qualquer poderia já estar sendo trabalhada na estrutura do banco, sem aguardar aquele período de processamento que acontece após o encerramento do expediente bancário nas agências. Temos condição de prover essa tecnologia de imagem para o ATM, também para a frente do caixa e mesmo para as operações de retaguarda, se esta for a estratégia do cliente.
RB – Como isso funcionaria no caixa do banco?
Freitas – Para a frente do caixa, teríamos uma solução rodando sobre nosso scanner de cheques, o PertoScan, que já trataria o código e a validação do cheque, jogando estas informações num fluxo de dados que poderia ser trabalhado dentro da estrutura de processos do banco. A mesma solução poderia ser aplicada ao backoffice, agilizando os processos após o fim do expediente bancário nas agências. E mesmo se o cliente não dispor de uma estrutura de GED pronta para o tratamento de imagem, podemos ajudá-los na automação desta retaguarda.
RB – A Perto desenvolveu uma linha de POS focada em correspondentes?
Freitas – Lançamos um POS totalmente com tecnologia própria. Apostamos neste produto como um dos grandes impulsionadores na nossa área de automação comercial e bancária, já que ele pode ser adequado ao pequeno e grande varejo e ao correspondente não bancário. Foi com esta linha que ganhamos uma concorrência no Banco Popular do Brasil e estamos entregando 1700 terminais.
O fato de montarmos o produto no País e temos o domínio tecnológico nos dá segurança e possibilidade de inovação, como a capacidade de trabalhar com pagamentos contactless, ou de colocar um leitor biométrico para identificação do cliente, ser for o caso. Temos um ‘case’ interessante com o Bradesco, em que administramos cerca de 1000 pontos de correspondentes, mas num sistema próximo ao outsourcing. O banco diz onde é o ponto, nós mandamos o terminal, instalamos, damos o atendimento on-site e monitoramos todas as transações, para saber se a performance deste terminal está dentro do nível esperado, deixando o banco praticamente como um gestor de alto nível na operação.
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