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Unisys Mira a Digitalização nos Bancos

Entrevista com Marcelo Piquet, vice-presidente de consultoria e Rui Rosado, diretor de vendas da Unisys.

RB – Quais são as áreas de serviço da Unisys com maior demanda no nicho financeiro?

Piquet Todas as áreas da Unisys são fortemente demandadas, seja em serviços consultivos, projetos, implementação ou outsourcing, muito embora estejamos apostando fortemente na crescente procura por sistemas de tratamento de imagem e nas atividades ligadas aos correspondentes.

RB – Os bancos irão mesmo migrar para o ambiente SOA?

PiquetA adoção de arquiteturas mais versáteis faz parte da evolução natural dos ambientes de TI. É claro que os bancos, por conta das prioridades em investimentos e pelas estruturas legadas não podem fazer uma transição de uma hora para outra para estes ambientes. Mas todos já atentaram para as vantagens de se levar as aplicações para um ambiente mais robusto e que facilita ações como a entrega de novos aplicativos ou a integração a estruturas já existentes, inclusive como parte de nossa oferta de serviços consultivos.

RB – Serviços de que natureza? Desenho de projetos?

Rosado Podemos fazer a parte de desenho, sem dúvida. Mas também estamos prontos a auxiliar os bancos em projetos mais estratégicos como, por exemplo, a identificação de quais sistemas legados oferecem melhor oportunidade se migrarem para uma arquitetura mais nova, seja SOA ou outra que seja importante para o banco. E, claro, podemos auxiliar os CIOs nos projetos de redesenho de estruturas, mas de forma aderente ao negócio.

RB – Não é verdade que os projetos em SOA são ainda restritos aos ambientes novos, pelo menos no nicho de bancos?

RosadoPodemos dizer que sim, o uso dos projetos de SOA está normalmente associado a  projetos novos, embora exista o interesse de substituição. Mas ele acontece nos lugares onde o banco enfrenta um problema maior, onde existem gargalos. E, nestes casos, dificilmente a instituição financeira vai assumir que está migrando sistemas para tecnologias ou ambientes porque enfrenta problemas.

RB – Quais as vertentes de negócio do setor estão influenciando mais a oferta de TI?

PiquetHá uma demanda pela expansão e diversificação de canais de atendimento, e também há a disputa entre os bancos pela maior disponibilidade de produtos financeiros, tudo isso impactando a área de TI. Você não pode, por exemplo, lançar um novo produto financeiro da noite para o dia, sem considerar o impacto disto nos sistemas. E este é outro fator que tem aproximado as áreas de negócio da TI, no sentido de pensar o futuro do negócio, de buscar canais que ajudem a mitigar os custos operacionais.

RB – Poderia citar algum exemplo?

PiquetA truncagem de cheques é um exemplo claro disto. As estruturas de retaguarda nos bancos estão mais do preparadas e só que resta ao setor é discutir marcos regulatórios.

RB – O declínio cada vez mais acentuado dos cheques não pode desetimular investimentos em truncagem?

RosadoSim, é verdade que o volume de transações em cheques cai ano a ano, mas ainda representa um volume significativo de pagamentos, o suficiente para manter o interesse das entidades do setor financeiro em uma migração para o meio digital, por questão de redução de custos operacionais de ganho de eficiência nos processos. E vemos que o setor, como um todo, está empenhado em elaborar a regulamentação necessária ainda neste ano. Quais serão os procedimentos? Quais serão os processos? Como ficarão as janelas de clearing? Isso é algo que só descobriremos com o tempo, mas a truncagem deve consumir algo entre 2 e 3 anos para chegar até a conversão final rumo ao digital, algo que será quase tão traumático, no sentido de demandante de projetos e serviços consultivos, quanto a implantação do SPB.

RB – E como se apresenta a oferta da Unisys para o nicho de truncagem?

Piquet – Como falamos, os bancos já estão com estruturas num estágio relativamente avançado de preparo para dar conta do trânsito de imagens digitalizadas e certificados em substituição ao cheque em papel, bem como de outras soluções de processamento de imagem, como é o caso do Bradesco, por exemplo.

Quanto aos serviços, a Unisys domina todo o processo de implantação de clearings, tanto é que somos o fornecedor de software de um projeto desta natureza que já está em operação na Malásia. Além disso, dominamos toda a expertise do reconhecimento de imagem e tratamento do cheque, reconhecendo alguns detalhes dos documentos a acrescentando camadas de valor a esse reconhecimento. Só para se ter uma idéia, cerca de 54% dos cheques do mundo inteiro são processados em plataformas da Unisys. Mas nós também estamos apostando em novos produtos que podem ser muito atraentes para os bancos.

RB – Produtos de que tipo?

PiquetTemos uma solução que está chamando muito a atenção dos bancos que é uma plataforma de gerenciamento de boletos e que funcionaria juntamente com a CIP. Seria uma plataforma que criaria uma espécie de câmara eletrônica, uma caixa postal eletrônica de boletos e que reuniria todos os bancos. Seria um processo público e transparente, pelo qual um comércio poderia gerar um boleto, por exemplo, gerando uma versão eletrônica do documento. O consumidor, por sua vez, acessaria uma área no site de Internet banking de seu banco, onde poderia ver aquela versão digital deste documento, podendo optar entre pagá-lo ou programar seu pagamento.