SLA na Agenda Dos Bancos
Entrevista com Adriano Gaudêncio, presidente da 3Com
RB – As redes estão se tornando cada vez mais estratégicas, na medida em que nelas circula o valor vital das empresas. Como a 3Com percebe esta transformação?
Gaudêncio – Há uma transição do conceito de redes como infra-estrutura pura e simples para o de um ambiente dinâmico e associado a serviços. Bancos, como são pioneiros na adoção de novas tecnologias, buscam as vantagens de aplicações como a telefonia IP e a mobilidade, ao mesmo tempo em que querem manter o controle de níveis de serviço e da segurança. É aí que entram modalidades como o gerenciamento de SLAs, no que tange ao uso de serviços prestados pelas telcos, e uma série de desenhos de uso de redes convergentes, com ganho de eficiência e redução de custos.
RB – Como as plataformas abertas chegam concretamente ao cliente e quais as suas vantagens?
Gaudêncio – A 3Com adotou o conceito OPS, as Open Services Networking, que permeiam toda a oferta da empresa desde os segmentos SMB até as grandes corporações. Ele consiste na adoção de um modo servidor embutido em switches e roteadores, o que permite agregar uma série de funcionalidades embarcadas dentro destes aparelhos, tudo isso com base em software livre. Ou seja, essa abordagem agrega um nível de inteligência maior aos equipamentos sem depender de outros dispositivos ou software. A idéia é que switches e roteadores inteligentes podem ser a base para funcionalidades de monitoramento de uso da rede, dispensando o uso de software adicional.
RB – E como é feito o desenvolvimento destes aplicativos, considerando as restrições de pessoal técnico nas equipes?
Gaudêncio - Os bancos podem tanto ter um desenvolvimento interno, usando bibliotecas disponíveis globalmente, ou com apoio da 3Com para fins de treinamento. A vantagem para o banco é que, se ele quer optar por um diferencial, encontra soluções que servem como base e que podem ser customizada para seus fins, seja para uma função de segurança ou um modo de gerenciamento de redes. Mas nada impede que o banco adote um aplicativo público e de baixa criticidade, desde que atenda a suas necessidades. E o banco também pode adquirir os equipamentos e buscar soluções desenvolvidas por parceiros da 3Com. No País, a Philips do Brasil e a Sumus, especializada em controle e tarifação de telefonia, têm desenvolvido soluções para plataformas OSN.
RB – Podemos dizer que o controle de SLAs, fiscalizando o serviço das telcos, é parte da oferta da 3Com?
Gaudêncio – Prefiro responder isso com um exemplo. Realizamos recentemente a demo de uma solução de rede unificada em um cliente que havia contratado da telco um link de 10 Mbps. Ao requisitar este link, nosso dispositivo detectou que a capacidade entregue era quase dez vezes menor. A apresentação foi interrompida e o executivo interpelou a operadora na nossa frente. Descobriu-se, porém, que havia um loop nesta rede consumindo banda de forma exagerada, o que foi logo corrigido. Ou seja, a solução ajudou a indicar o problema.
RB – Como é o relacionamento da 3Com com as telcos?
Gaudêncio –A maioria das telcos tem comprado roteadores da 3com de maior valor agregado, em substituição a roteadores que eles colocavam antes no cliente sem a capacidade de agregar serviços associados. Estes novos produtos permitem à própria operadora monitorar índices de SLAs, além de preparar o terreno para a oferta de novos serviços, contribuindo para a fidelização das carteiras, até porque a guerra das tarifas virou comodity, e preço, isoladamente, já não é mais fator para manter o cliente estável em uma operadora.
RB – Os complicados processos de homologação e o longo ciclo de venda para os bancos é um problema ou já está assimilado?
Gaudêncio – Vender aos bancos é um processo às vezes demorado, que acontece de forma apertada por prazos e exigências do cliente. O que fazemos para melhorar isso é tentar homologar por produto; não por projeto, mas assim que ele é lançado. Com isso podemos mostrar ao cliente de que forma uma solução casa com as necessidades dele. É um processo valioso, porque os bancos geram um feedback importante e que acaba até mesmo influenciando o desenvolvimento de novos produtos, como foi o caso do novo switch 4500, desenvolvido a partir de demandas do setor bancário.
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