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Cisco Aposta em Tecnologia Como Fonte de Receita
A capacidade de usar os múltiplos canais e mídias para uma interação mais produtiva com clientes e cadeias de valor é a chave da diferenciação e competitividade na indústria financeira. Esta é a avaliação do economista Jim Greene, vice-presidente de Global Financial Services Practice, no Internet Business Solutions Group (IBSG) da Cisco.
Greene enfatiza a necessidade de abrir novas oportunidades de receita, seja inovando os serviços bancários ou buscando interações com outros agentes econômicos. “Não é à toa que grande parte dos CEOs dos maiores bancos vêm dos setores de varejo ou distribuição. Eles estão acostumados a trabalhar muito sincronizados com as necessidades e desejos dos clientes”, observa.
Segundo o especialista, as tecnologias de colaboração e integração entre pessoas e unidades de negócios têm um papel fundamental na inovação bancária. Todavia, enfatiza que neste momento é também fundamental a capacidade de articular parcerias com outros agentes do mercado. “O eixo da discussão não é banking. É como habilitar mais e melhores alternativas de comércio”, define. “O ganho dependerá não apenas das tecnologias que suportam as transações, mas também da capacidade de usar os recursos de colaboração, interação e multimídia para criar oferta mais atrativas, que habilitem mais oportunidades de receita”, descreve.
No Brasil, o percentual de transações pelos canais eletrônicos, na avaliação de Greene, torna o mercado particularmente receptivo a novas aplicações de mobile banking e mobile payment. No entanto, destaca que a padronização é o passo fundamental para massificar o canal. “Bancos, operadoras, órgãos reguladores e outros envolvidos precisam acordar normas de compatibilidade, que permitam a adoção de aplicações de forma massiva, como Mobile Payments”, observa. “Os bancos devem olhar a iniciativa da Mastercard e da VISA, com o EMV”, exemplifica. Às companhias de telecomunicações, além da interoperabilidade, cabe a tarefa de ganhar eficiência para baixar o custo dos serviços, o que já é facilitado com o aumento de escala.
Além do core da rede
“Somos conhecidos como um gigante de redes de dados e equipamentos de comunicação. Mas os produtos para colaboração e aplicações de convergência (como telefonia IP, videoconferência e telepresença) já representam 40% da receita mundial, percentual que deve crescer”, defende Carlos Carnevali Júnior, diretor de vendas da Cisco Brasil para o setor financeiro.
“Há cinco anos, nosso foco era fornecer as soluções de rede melhores, mais seguras e eficientes. Isso continua a ter importância crescente, mas hoje assumimos também a missão de habilitar as instituições a inovar nas operações e no negócio. Por isso, 75% do portfólio da Cisco é composto de aplicações de colaboração e comunicação unificada”, argumenta Greene.
Embora tenham uma participação proporcionalmente menor, as vendas de roteadores e switches ainda respondem pela maior parte da receita da Cisco. No setor financeiro do Brasil, as linhas de crescimento mais acentuado, segundo Carnevali, são de equipamentos de médio porte, destinados a pontos distribuídos da rede. “Os líderes de TI não querem arriscar no core e nesse nicho temos a liderança garantida. Mas se ficarmos restritos ao data center, nosso crescimento fica limitado à própria atualização dessas instalações. A boa notícia é que aumentam as vendas de switches Ethernet para agências”, informa o diretor. “Com o Basiléia (e suas exigências de controle de risco operacional), a qualidade de ponta a ponta passa a ter valor”, justifica.
Vanderlei Campos, especial para Relatório Bancário |