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Brasil: Receita dos Cartões Sobe 142 % na Baixa Renda

Segundo a pesquisa da Itaucard, o faturamento oriundo da baixa renda brasileira cresceu 142% entre 2003 e 2007, contra 85% das demais faixas de renda em igual período. Com isso, a receita da baixa renda representou quase metade do valor (47,8%) do total movimentado pelo setor de cartões de crédito no ano passado. Ainda entre 2003 e 2007, a quantidade de plásticos para a baixa renda cresceu de 29 milhões para 60 milhões (111%). Nas demais rendas, essa base foi ampliada de 17 milhões para 32 milhões (96%).

Para os meses de maio e junho, a Itaucard prevê que o mercado brasileiro de cartões de crédito irá faturar R$ 36 bilhões. Se isso ocorrer, o primeiro semestre deste ano registrará um crescimento de 22,5% em relação a igual período de 2007, ou seja, uma receita de R$ 101, 6 bilhões, contra R$ 82,9 bilhões do ano passado.

A projeção tem por base a pesquisa da ABECS. Se dividido por ramos, o faturamento do setor fica assim: Vestuário e Lojas de Departamento (21%), Supermercados e Hipermercados (19,3%), Varejo e Pequenas Lojas (13,6%), Restaurantes, Hotéis e Cias. Aéreas (13,5%), Postos de Gasolina e Auto-Peças (10,6%), Eletrônicos, Construção, Móveis (10,6%), Serviços (5,3%), Hospitais, Clínicas, Drogarias e Farmácias (5%) e Joalherias (1%). Acesse a Pesquisa Aqui.

América Latina: Baixa Bancarização é o Obstáculo 

Já o estudo da Mastercard na América Latina revelou que no Brasil houve um significativo crescimento na oferta de cartões de crédito, que passaram de 35 milhões em 2001 para 93 milhões em 2007, aumento de 165%. Por outro lado, é pequeno o nível de bancarização em algumas capitais, como a Cidade do México, onde apenas 50% da população têm acesso a serviços financeiros básicos. Em 74% das cidades, onde se concentram 22% da população, não existem sequer agências bancárias.

Confira os principais destaques da pesquisa em cada uma das cidades estudadas:

Rio de Janeiro: 1,7 mil pessoas no Rio são empregadas por 870 mil micro e pequenas empresas. Entre o lançamento do Plano Real, em 1994, até 2002, houve um rápido crescimento do poder de compra da população de baixa renda. A partir de 2007, porém, despesas domésticas e com alimentos ainda representavam 32% da média dos gastos no Rio. O Brasil experimentou um aumento maciço na disponibilidade de cartões de crédito nos últimos anos, aumentando de 35,4 milhões em 2001 (1 cartão para cada 4,9 habitantes), para 93 milhões em 2007 (1 cartão para cada 2 habitantes), um aumento de 165%. No Rio de Janeiro, 45% das micro, pequenas e médias empresas não têm conta corrente, e 21% não fazem qualquer transação financeira utilizando o sistema bancário formal. O número de pessoas que vivem nos morros do Rio de Janeiro está crescendo a uma taxa anual de cerca de 7,5%, em contrapartida ao crescimento da população urbana da cidade, que apresenta uma taxa de crescimento de apenas 2,5% ao ano.

São Paulo: está passando por uma migração da população das áreas centrais para a periferia. Desde 1990, o número de pessoas que vivem na periferia aumentou de 19% para 30% em 2000. A partir de 2007, despesas domésticas e com alimentos continuam a representar 30% da média de gastos domésticos em São Paulo. Cerca de 3,4 mil pessoas estão empregadas por mais de 2,6 milhões de micro e pequenas empresas. O acesso ao micro-crédito vem crescendo, apesar de ainda ser baixo. Em 2007, apenas 6% dos pequenos e médios negócios usaram o micro-financiamentos. Além disso, 49% deste tipo de empresas não têm conta-corrente e 11% não fazem transações financeiras usando as vias formais.

Bogotá: Em 2020, Bogotá será a 26ª cidade mais populosa do mundo. Após o Chile e o Brasil, a Colômbia é o país que concede mais crédito ao setor privado na América Latina. Em termos de utilização dos serviços bancários, só 29,2% da população colombiana tem acesso a pelo menos um produto financeiro (conta corrente, conta poupança, cartão de crédito ou débito etc.). O uso de serviços bancários foi incrementado nos últimos anos, devido a um aumento da confiança dos consumidores do país em seu sistema bancário. A utilização de cartões de crédito também cresceu, especialmente no segmento baixa renda.

Buenos Aires: Depois do Serviço Público, as pequenas e médias empresas e aquelas do segmento informal são as principais fontes de emprego na Argentina. A penetração de micro-créditos na Argentina é muito baixa. Apesar de ser um país com uma elevada carga fiscal, como o Chile e o Brasil, a Argentina sofreu uma redução no uso de serviços bancários, alcançando níveis comparáveis aos de países economicamente subdesenvolvidos. A economia informal é vital para a sobrevivência do segmento de baixa renda da população na Argentina. A maioria dos segmentos mais baixos da população não têm acesso a serviços financeiros.

Caracas: A Venezuela possui um dos mais altos níveis de urbanização do mundo, com 90% da população vivendo em zonas urbanas ou áreas metropolitanas. Devido às riquezas geradas pelo petróleo e à liderança de Caracas entre as cidades da Venezuela, os empregos para a população são distribuídos de maneira desigual com um setor de serviços financeiros crescente e moderno de um lado e a rápida expansão do setor informal com salários baixos do outro. A população da grande Caracas está entre as mais pobres em comparação com as demais cidades do estudo: 87% da população têm condições de custear somente a cesta básica alimentar. Em geral, o uso de cartões de crédito é muito baixo. Além da falta de produtos financeiros adequados para atender a demanda da população, o país também não tem sistema de liquidação interbancária em nível nacional.

Cidade do México: O estudo prevê que a Cidade do México perderá a 2ª posição no ranking mundial de cidade mais populosa do mundo em 2020, tornando-se a 5ª mais populosa. Além disso, o México está experimentando um crescimento nas populações que vivem em zonas periféricas e rurais. Em 2003, 75% da população do México com mais de 18 anos de idade não tinha acesso a serviços financeiros básicos. Em 2005, este percentual caiu para 50%. Em 74% das cidades mexicanas, onde estão concentradas 22% da população total do país, não existem agências bancárias. Estimativas de 2002 revelam que apenas 48% da população tinha utilizado um serviço financeiro e apenas 15,2% tinha uma conta corrente. O mercado de baixa renda mexicano é composto atualmente entre 12 e 40 milhões de pessoas, dependendo de como são classificadas as classes D e E.

Santiago: O nível de negócios de crédito no Chile é o maior da América Latina (em comparação com o PIB do país), alcançando números nos mesmos níveis de países desenvolvidos. Na última década, o acesso ao crédito por micro, pequenas e médias empresas teve um forte crescimento. O mercado de baixa renda deverá crescer a uma taxa anual de 1% até 2020. A utilização do crédito por este segmento no Chile é semelhante à Europa e aos Estados Unidos, sendo mais diversificada do que apenas como ferramenta de compra. Cartões de crédito e de débito são utilizados por todos os segmentos populacionais no Chile. No entanto, os cartões de crédito estão concentrados no segmento de alta renda. Em 2005, o número de cartões de crédito e débito totalizaram 3,8 milhões e 5,6 milhões respectivamente. O número de cartões de varejo (marca própria) ultrapassou os cartões de crédito, incluindo número de transações e valor total negociado. O segmento de varejo representa 15% do mercado de crédito. Acesse a Pesquisa Aqui