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Cartões movimentam R$ 246,3 bilhões em compras e Brasil pode chegar ao nível de países desenvolvidos em cinco anos
Em 2006, os cartões de crédito, débito, de lojas e de rede movimentaram R$ 246,3 bilhões em compras no Brasil. O valor representa um crescimento de 21% em relação ao montante acumulado em 2005. A informação foi divulgada nesta semana durante o 2º Congresso Brasileiro de Meios Eletrônicos de Pagamento (CMEP) realizado pela Abecs em parceria com a Febraban.
Ao todo, o segmento movimentou R$ 43,1 bilhões a mais do que havia feito em 2005, sendo que a maior contribuição para este aumento foi dos cartões de crédito, modalidade que registrou R$ 151,2 bilhões em 2006. Os cartões de débito cresceram R$ 11,2 bilhões e os de loja e redes R$ 3,8 bilhões.
Segundo o presidente da Abecs, Jair Scalco, a manutenção do ritmo de crescimento do mercado de cartões com a repetição dos percentuais ao longo dos anos comprova a tese da Associação de que este avanço se deve basicamente à substituição de meios de pagamento. O número total de cartões em circulação chegou a 379 milhões no final de 2006 revelando um acréscimo de 41 milhões de plásticos, ou de 12%, entre dezembro de 2005 e o mesmo mês do ano passado.
Mas o setor enfrenta grandes desafios à expansão, como a resistência dos pequenos e médios negócios e a informalidade. O pequeno varejo, por exemplo, chega a praticar uma política de descontos para pagamentos em cheque ou dinheiro versus as modalidades crédito e débito por conta das tarifas cobradas pelas redes administradoras. Política por sinal ilegal, já que um meio de pagamento não pode ser beneficiado em detrimento de outro, além do que, ao diferenciar preços de pagamentos, o lojista está quebrando o contrato com a administradora.
Como a briga de tarifas entre operadoras e credenciados é um debate sem fim, o CMEP centrou a discussão em torno das características do mercado brasileiro e aproveitamento das experiências internacionais. Entre os vetores apontados para o desenvolvimento estão a redução da informalidade no varejo, a bancarização da população de baixa renda e o estímulo a mudanças culturais que levem à substituição do cheque e dinheiro pelos meios eletrônicos.
Menos controle – outro tema do evento foi a questão da intervenção ou não do governo no setor. Segundo afirmou no painel sobre Desenvolvendo uma Perspectiva sobre o modelo de negócios nos Meios Eletrônicos de Pagamento no Brasil, o ex-secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Krepel Goldberg, afirmou que não há evidência de que uma intervenção tarifária pura e simples gere um efeito benéfico para o setor. “Falando da perspectiva de quem atua em defesa da concorrência, é bom pesar que as decisões sempre são tomadas com vista ao benefício conjunto do setor”, disse.
O painel também debateu as experiências de outros países, em comparação com o Brasil, tomando como base estudo da consultoria McKinsey e que destacou números como o crescimento dos meios de pagamento eletrônicos no País, da ordem de 14% ao ano entre 2000 e 2005 e de 24% em transações, superando países como México (9% e 4%), Reino Unido (7% e 10%) e EUA (4% e 12%).
Segundo o estudo, os meios eletrônicos estão substituindo outros meios de pagamento, como se percebe na substituição do meio cheque, que foi de 34% em 2004 e 28% em 2005. Outras causas da expansão do meio eletrônico envolveriam ainda a queda nos preços da telefonia e comunicações, a redução do custo final dos mecanismos de POS e PDV, por conta da competição e desenvolvimento tecnológico e que fez com que os equipamentos tivessem uma queda de cerca de 50% entre 2000 e 2006.
A perspectiva do estudo da McKinsey diz ainda que o Brasil tem condições de, mantidas as tendências atuais, nos próximos cinco anos chegar ao nível de países mais desenvolvidos como França, Reino Unido, Canadá, Austrália ou Coréia do Sul. Mas para que o País precisa superar obstáculos como a informalidade. “A sonegação fiscal pode triplicar o faturamento do comerciante e em segmentos importantes para as transações com cartões, a informalidade é grande. Só os quatro maiores setores, hotéis e restaurantes, vestuário, móveis e varejo de combustíveis têm médias de informalidade superiores a 50%, sendo que, juntos, estes segmentos representam de 50 a 60% das transações com cartões”, afirmou Edson Santos, diretor de tecnologia da Abecs.
De acordo com o executivo, o Brasil também registra outros movimentos na área de pagamentos eletrônicos como o crescimento das redes compartilhadas, em que várias bandeiras estão em um só equipamento. “Mas vale ressaltar que não há relação direta entre compartilhamento das redes de POS e seu crescimento, se nos basearmos no comportamento de outros países”, afirma.
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