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Queda na Rentabilidade
O aumento do custo de captação, as mudanças nas regras do Banco Central para as tarifas e o cenário externo adverso colaboraram para a queda na rentabilidade dos principais bancos privados do país, no primeiro semestre deste ano. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio do Bradesco no primeiro semestre ficou em 25,8%, três pontos percentuais abaixo do registrado em igual período do ano passado.
No Itaú, a queda foi idêntica, para 27,5%. A exceção foi o Unibanco, que ficou praticamente estável em 25,9%, alta de 0,8 pontos. Desde o começo do ano os bancos vem apresentando queda na rentabilidade, depois de resultados expressivos nos últimos anos. E os analistas acreditam que dificilmente a rentabilidade volte para patamares anteriores no curto prazo.
Nova Regulamentação
A redução com ganhos nas tarifas decorre da nova regulamentação do Banco Central, que limitou a cobrança desde o final de abril. Entre outras regras, foi proibida a incidência de taxas na abertura de crédito e na liquidação antecipada de operações.
No segundo trimestre do ano, as receitas provenientes de contas correntes do Unibanco caíram de 7,7%, para R$ 195 milhões. Para compensar, o banco pretende conquistar 200 mil novos correntistas no segundo semestre, mesmo patamar registrado entre janeiro e junho.
No Bradesco, as receitas de contas corrente e operações de crédito caíram 0,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Para compensar essa perda, o presidente do banco, Márcio Cypriano, afirmou que o caminho é abrir neste ano 1,75 milhão de novas contas. Mais da metade da meta já foi cumprida, pois o Bradesco somou 900 mil novos correntistas no primeiro semestre.
Apesar da expectativa de novos clientes pagando tarifas, o banco reduziu de 5% a 10% para entre 5% e 8% a projeção de crescimento do total das receitas com prestação de serviços, que no primeiro semestre ficou em R$ 5,57 bilhões, valor 7,9% maior que o registrado entre janeiro e junho do ano passado.
No Itaú, a meta é abrir 500 mil novas contas no segundo semestre, número similar ao registrado nos primeiros seis meses do ano. Esses clientes serão responsáveis por compensar a queda nas receitas com tarifas bancárias, que no primeiro semestre foi de 5,8%, para R$ 1,33 bilhão. Na avaliação de analistas, essa tendência de queda se estabilizará a partir do ano que vem.
Mesmo com rentabilidade menor, os bancos estão mais otimistas. O crescimento de renda da população, a queda nas taxas de desemprego e os planos de investimentos das empresas fizeram essas instituições elevarem suas projeções para o crédito este ano. Após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, Bradesco, Itaú e Unibanco deixaram de lado estimativas conservadoras que variavam de 20% a 25% de crescimento e passaram a apostar em um aumento no crédito neste ano de 30%.
A revisão acontece no meio de um processo de elevação dos juros por parte do Banco Central. Nas projeções do Bradesco, maior banco privado brasileiro, a carteira de crédito terá uma expansão de até 29% neste ano, ante projeção anterior de 21% a 25%.
Ao final de junho, essas operações no Bradesco totalizavam R$ 181,60 bilhões, valor 38,8% maior que o registrado no mesmo período de 2007. Já no Itaú a expectativa inicial estava entre 25% e 30% e, agora, o banco aposta que ao final do ano o desempenho da carteira ficará mais perto dos 30% e, no ano que vem, será de 25%. Em 12 meses, as operações de crédito da instituição subiram para R$ 148,07 bilhões, um avanço de 41,3%.
O Unibanco foi na mesma linha, e decidiu apostar na ponta maior de suas projeções, que é 25%. Isso ocorre após as operações terem crescido 39,2%, para R$ 68,99 bilhões em junho. Essas apostas refletem não só a expectativa que os bancos têm em aumentar o crédito junto a atual base de clientes, mas também estão baseadas no espaço que o setor ainda tem de crescimento no Brasil.
Novos Clientes
O aumento de renda contribui para a conquista de novos clientes pelos bancos. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a classe média já responde por 51,89% das famílias brasileiras. Em 2004, essa participação era de 42,26%. Inadimplência comportada, demanda aquecida e maior renda dão segurança aos bancos para realizarem essas projeções.
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