Compras Médias Atingem R$ 191
Nos três primeiros meses do ano o gasto médio por cartão foi de R$ 191, valor 10% superior ao do ano passado. “É um forte indicativo de que as pessoas começaram 2008 usando mais seus cartões e para compras de maior valor”, afirma o presidente da ABECS, Felix Cardamone.
De acordo com o executivo, a confiabilidade do meio plástico e a maior capilaridade em pontos de atendimento foram vetores que contribuíram para o resultado. “Desde o ano passado, a adoção de novas tecnologias, como os pontos de atendimento baseados em chips GPRS e malhas celulares, criou aplicações antes impensáveis, como o uso de cartões em feiras livres e até táxis”, diz Cardamone.
O destaque entre as várias modalidades foi para cartões de débito, com aumento de 20% sobre o valor registrado em 2007. Na época, cada cartão de débito gastou R$ 101 e neste ano saltou para R$ 120. A modalidade é a que apresenta o maior número de plásticos (205 milhões), com total de R$ 24 bilhões em compras no trimestre, número 29% maior do ano passado.
Também contribuiu para o resultado o aumento na malha de atendimento. “O credenciamento no varejo cresceu de forma significativa, acima da média anual de 15% ao ano. Não temos números oficiais, mas acreditamos em algo em torno de 18%, o que significa um incremento na base de estabelecimentos da ordem de 200 mil pontos”, afirma Antonio Luiz Rios, diretor de produtos e de processos de credenciamento da entidade. Ainda segundo o executivo, o Brasil encerrou 2006 com cerca de 1 milhão de pontos de atendimento, número que deve ter fechado próximo a 1,2 milhão no ano passado. A estimativa dá conta de que o País deve repetir o crescimento acima da média histórica de 15% em pontos de presença neste ano.
Perspectivas
A ABECS também divulgou perspectivas para o uso de meios eletrônicos de pagamento até o final do ano, quando cartões de crédito, débito, loja ou rede serão responsáveis por 21% de todas as compras feitas pelas famílias brasileiras. O número será três vezes maior do que os 7% dos cheques. Com isso, estará completa a inversão total da posição das duas modalidades de pagamento. Em 1999 os cheques tinham 24% do total e os plásticos 8%, segundo estudo da ABECS, com base em números do BC. O dado reflete inclusive pesquisa de meios de pagamento realizada pelo BC e divulgada no Anuário de Meios de Pagamento 2007, publicado por Relatório Bancário.
Para Noronha, o levantamento mostra que o mercado brasileiro de cartões está seguindo um ritmo que pode levá-lo a ter o mesmo nível de participação na economia que atualmente é registrado nos Estados Unidos, o mercado mais desenvolvido do mundo. “Lá os cartões realizam 42% dos pagamentos. Se a indústria mantiver o ritmo de crescimento dos últimos anos, o Brasil terá 38% em 2017, ou seja; estaremos bem perto deles em aproximadamente 10 anos,” afirma.
Ainda de acordo com o executivo, o cartão pode ser um importante vetor de ganhos e agilidade para o País. Ele se baseia em outro estudo do BC, de que a realização de pagamentos em um país gera custos anuais da ordem de 3% de seu Produto Interno Bruto (PIB) e que os países tendem a se beneficiar – pela redução desses custos - na medida em que há maior utilização de formas eletrônicas de pagamento. De acordo com o trabalho, no Brasil a economia obtida com a integral substituição dos instrumentos em papel por eletrônicos poderia atingir 0,7% do PIB.
Meio bilhão de cartões
A entidade ainda mostra otimismo em relação ao crescimento na base de plásticos no Brasil, com 55 milhões de novos cartões entrando em circulação até o final de 2008, totalizando 493 milhões de unidades até dezembro. As previsões indicam ainda que eles realizarão seis bilhões de transações e movimentarão R$ 375 bilhões.
Pela expectativa da entidade, a base de plásticos em circulação terá um crescimento de 12% em relação a 2007, enquanto o número de transações crescerá 17%, além de 20% de aumento no valor das compras. Em termos absolutos, além dos 55 milhões de plásticos a mais, acontecerão 866 milhões de operações acima do registrado no ano anterior e os brasileiros gastarão com cartões R$ 62 bilhões além do que gastaram em 2007.
Em termos de volumes por modalidade, os cartões de crédito chegarão em dezembro à casa de 110 milhões em circulação e serão responsáveis por R$ 218 bilhões em compras. Estes números representam um crescimento de 18% na base e 19% no valor das compras.
No ano passado o valor das compras com cartões de débito foi R$ 88 bilhões. A ABECS estima que este número salte para R$ 102 bilhões este ano, configurando um aumento de 20%. Já os cartões de loja e rede chegarão à casa das 170 milhões de unidades, realizarão 973 milhões de transações e movimentarão R$ 54 bilhões, com crescimentos proporcionais de 19%,17% e 23% respectivamente.
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