Relatório Bancário: De que forma o Sr. contrapõe as críticas ao desempenho do Banco Popular?
Robson Rocha: As críticas mais acaloradas cobram de nós uma lucratividade maior, considerando que o banco teve sua fundação em 2003. A verdade, entretanto, é que o início das operações do Banco Popular só se deu em meados de 2004, o que nos dá pouco mais de dois anos de existência. É importante considerar, além do mais, que o ônus do pioneirismo é também um efeito coadjuvante do próprio pioneirismo e suas vantagens inerentes. Se é verdade que nos custou montar o conceito de banco focado em microcrédito, também é inegável o patrimônio que adquirimos em know-how, estrutura de parcerias e base de clientes ativos. Vencida a curva de aprendizagem, estamos agora em condições competitivas invejáveis para atuar num dos segmentos mais disputados atualmente que é das camadas de baixa renda e micro-empresa.
Relatório Bancário: O Sr. diria que o Banco Popular vem cumprindo seu papel social de agente bancarizador?
Robson Rocha: Apesar da resposta positiva, devo enfatizar que esta abordagem é apenas parcial. Na base da nossa operação está, na verdade, uma premissa de negócio. Assim como em um passado recente criou-se a conta corrente para universitários com pouco dinheiro visando mantê-los cativos até se tornarem clientes abonados, num certo momento houve a percepção de que a baixa renda desbancarizada guardava um potencial de negócios. Segundo este ponto de vista, o BPB seria uma espécie de estágio para correntistas que, mais tarde, poderiam até ser habilitados como clientes do Banco do Brasil. O fato é que todos os bancos públicos e privados já descobriram este filão e estão investindo nele.
“Vencida a curva de aprendizagem, estamos agora em condições competitivas para atuar num dos segmentos mais disputados atualmente que é o das camadas de baixa renda” |
Relatório Bancário: De que maneira a operação do BPB está evoluindo em termos de conta corrente e de movimento de crédito?
Robson Rocha: Inicialmente nossa prioridade era constituir uma base de estabelecimentos parceiros capaz de nos garantir uma capilaridade insuperável pela concorrência. Ao final de 2005, chegamos aos 5200 estabelecimentos e então compreendemos que era hora de partir para a depuração. Ou seja, depois de estruturar nossa presença em termos geo-estratégicos, passamos a vivenciar o negócio a ponto de saber o que deveria ser mantido e o que deveria ser realinhado. Com nossa experiência e as nossas atuais ferramentas de performance e acompanhamento de metas, estamos buscando o equilíbrio com uma rede de pouco mais de 2,6 mil estabelecimentos conveniados, sem qualquer prejuízo para os clientes e com melhores resultados financeiros para o banco.
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“Queremos introduzir rapidamente o cartão de débito, o que dará maior portabilidade aos clientes” |
Relatório Bancário: Quais são os novos serviços estratégicos que o BPB tem em vista para curto prazo?
Robson Rocha: Queremos introduzir rapidamente o cartão de débito, o que dará maior portabilidade e, conseqüentemente, maior utilização da conta corrente. Outro produto é o seguro de vida popular, já oferecido hoje. Paga-se, por exemplo, dois reais por mês para um prêmio final de 2,5 mil reais. Pode parecer irrisório, mas é um montante providencial, por exemplo, para os serviços funerários. O nosso portfólio atual é bastante diversificado, abrangendo recebimento de contas, boletos, cadastramento para conta corrente e saque em conta simplificada.
Relatório Bancário: O Banco Popular tem toda a sua operação via IP?
Robson Rocha: Posso garantir que nossa operação é muito eficiente e de baixíssimo custo, utilizando recursos da própria rede do Banco do Brasil. Do ponto de vista dos estabelecimentos comerciais, tudo o que o nosso parceiro precisa é de um POS ou de um PC com link discado ou banda larga. A ativação e manutenção dos pontos de atendimento são simples e de menor custos.
“Ainda temos muito a fazer para qualificar a base de clientes inadimplência próxima a zero” |
Relatório Bancário: Qual o limite de crédito para os correntistas do BPB?
Robson Rocha: Hoje, nossas operações são limitadas a R$ 600. Vale dizer que o processo de concessão de crédito passou por uma revisão e estamos implantando uma nova metodologia, o que nos dará muito mais segurança para operar.
Relatório Bancário: A inadimplência é muito alta?
Robson Rocha: Ainda temos muito que fazer para qualificar a base de clientes e ampliar a oferta de linhas de crédito. Paralelo ao crédito massificado de livre direcionamento, o BPB vem incrementando a concessão do microcrédito produtivo orientado, que tem sua inadimplência menor do que o crédito massificado devido a parcerias com OSCIPS (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público), especialistas em análise e direcionamento de crédito para comunidades produtivas.
Relatório Bancário: Como é feita a operação da rede de correspondentes?
Robson Rocha: Atuamos com 25 empresas gestoras de redes. Elas são responsáveis pela pré-seleção, cadastramento, ativação e manutenção dos correspondentes. Nós ficamos concentrados no core-business, que é a oferta e administração do negócio financeiro. Acho que este modelo é eficiente e menos sujeito a riscos, já que cada uma das partes se ocupa da sua efetiva competência. |