DIMINUIR PARA AUMENTAR

ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DO BANCO POPULAR

Criado em 2003 como parte de uma série de medidas do Governo Federal para estimular o microcrédito, o Banco Popular do Brasil passou por momentos de aclamação e outros de críticas.

Para o atual presidente da instituição, Robson Rocha, as percepções negativistas sobre BPB já começam a se dissolver diante dos novos números e serão em breve página virada em sua história. Atualmente, o banco realiza mais de 3 milhões de transações por mês em 1316 municípios.

Nesta entrevista exclusiva à Relatório Bancário, Rocha defende a trajetória do banco e prevê que o tempo da colheita está próximo. Desde sua fundação, em meados de 2004, o BPB movimentou R$ 300 milhões em crédito em um volume da ordem de 2,7 milhões de contratos, o que resulta num valor médio de empréstimos da ordem de R$ 112.

 

Relatório Bancário: De que forma o Sr. contrapõe as críticas ao desempenho do Banco Popular?

Robson Rocha: As críticas mais acaloradas cobram de nós uma lucratividade maior, considerando que o banco teve sua fundação em 2003. A verdade, entretanto, é que o início das operações do Banco Popular só se deu  em meados de 2004, o que nos dá pouco mais de dois anos de existência. É importante considerar, além do mais, que o ônus do pioneirismo é também um efeito coadjuvante do próprio pioneirismo e suas vantagens inerentes. Se é verdade que nos custou montar o conceito de banco focado em microcrédito, também é inegável o patrimônio que adquirimos em know-how, estrutura de parcerias e base de clientes ativos. Vencida a curva de aprendizagem, estamos agora em condições competitivas invejáveis para atuar num dos segmentos mais disputados atualmente que é das camadas de baixa renda e micro-empresa.

Relatório Bancário: O Sr. diria que o Banco Popular vem cumprindo seu papel social de agente bancarizador?

Robson Rocha: Apesar da resposta positiva, devo enfatizar que esta abordagem é apenas parcial. Na base da nossa operação está, na verdade, uma premissa de negócio. Assim como em um passado recente criou-se a conta corrente para universitários com pouco dinheiro visando mantê-los cativos até se tornarem clientes abonados, num certo momento houve a percepção de que a baixa renda desbancarizada guardava um potencial de negócios. Segundo este ponto de vista, o BPB seria uma espécie de estágio para correntistas que, mais tarde, poderiam até ser habilitados como clientes do Banco do Brasil. O fato é que todos os bancos públicos e privados já descobriram este filão e estão investindo nele.

“Vencida a curva de aprendizagem, estamos agora em condições competitivas para atuar num dos segmentos mais disputados atualmente que é o das camadas de baixa renda”

Relatório Bancário: De que maneira a operação do BPB está evoluindo em termos de conta corrente e de movimento de crédito?

Robson Rocha: Inicialmente nossa prioridade era constituir uma base de estabelecimentos parceiros capaz de nos garantir uma capilaridade insuperável pela concorrência. Ao final de 2005, chegamos aos 5200 estabelecimentos e então compreendemos que era hora de partir para a depuração. Ou seja, depois de estruturar nossa presença em termos geo-estratégicos, passamos a vivenciar o negócio a ponto de saber o que deveria ser mantido e o que deveria ser realinhado. Com nossa experiência e as nossas atuais ferramentas de performance e acompanhamento de metas, estamos buscando o equilíbrio com uma rede de pouco mais de 2,6 mil estabelecimentos conveniados, sem qualquer prejuízo para os clientes e com melhores resultados financeiros para o banco.

“Queremos introduzir rapidamente o cartão de débito, o que dará maior portabilidade aos clientes”

Relatório Bancário: Quais são os novos serviços estratégicos que o BPB tem em vista para curto prazo?

Robson Rocha: Queremos introduzir rapidamente o cartão de débito, o que dará maior portabilidade e, conseqüentemente, maior utilização da conta corrente. Outro produto é o seguro de vida popular, já oferecido hoje. Paga-se, por exemplo, dois reais por mês para um prêmio final de 2,5 mil reais. Pode parecer irrisório, mas é um montante providencial, por exemplo, para os serviços funerários. O nosso portfólio atual é bastante diversificado, abrangendo recebimento de contas, boletos, cadastramento para conta corrente e saque em conta simplificada.

Relatório Bancário: O Banco Popular tem toda a sua operação via IP?

Robson Rocha: Posso garantir que nossa operação é muito eficiente e de baixíssimo custo, utilizando recursos da própria rede do Banco do Brasil. Do ponto de vista dos estabelecimentos comerciais, tudo o que o nosso parceiro precisa é de um POS ou de um PC com link discado ou banda larga. A ativação e manutenção dos pontos de atendimento são simples e de menor custos.

“Ainda temos muito a fazer para qualificar a base de clientes inadimplência próxima a zero

Relatório Bancário: Qual o limite de crédito para os correntistas do BPB?

Robson Rocha: Hoje, nossas operações são limitadas a R$ 600. Vale dizer que o processo de concessão de crédito passou por uma revisão e estamos implantando uma nova metodologia, o que nos dará muito mais segurança para operar.

Relatório Bancário: A inadimplência é muito alta?

Robson Rocha: Ainda temos muito que fazer para qualificar a base de clientes e ampliar a oferta de linhas de crédito. Paralelo ao crédito massificado de livre direcionamento, o BPB vem incrementando a concessão do microcrédito produtivo orientado, que tem sua inadimplência menor do que o crédito massificado devido a parcerias com OSCIPS (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público), especialistas em análise e direcionamento de crédito para comunidades produtivas.

Relatório Bancário: Como é feita a operação da rede de correspondentes?

Robson Rocha: Atuamos com 25 empresas gestoras de redes. Elas são responsáveis pela pré-seleção, cadastramento, ativação e manutenção dos correspondentes. Nós ficamos concentrados no core-business, que é a oferta e administração do negócio financeiro. Acho que este modelo é eficiente e menos sujeito a riscos, já que cada uma das partes se ocupa da sua efetiva competência.

Robson Rocha, 47 anos, é funcionário de carreira do Banco do Brasil, com 26 anos de casa, tendo sido coordenador do Correspondente Bancário do BB.