Benchmarking
"O MISSIONÁRIO DA COMPARAÇÃO"

Entrevista com o presidente da Compass MC

Por Caroline Gomes

Alfredo Pinheiro - Presitende da Compass MC

O diretor geral da Compass MC, Alfredo Pinheiro, é um dos mais conhecidos especialistas em “benchmarking” no Brasil e um dos responsáveis pela propagação deste conceito no País. Depois de vários anos à frente da operação brasileira do Gartner, há cerca de dois anos, Pinheiro trouxe da Inglaterra a subsidiária da Compass e iniciou uma peregrinação pelas grandes e médias corporações do País para alargar a visão geral sobre a metodologia do Benchmarking.

Em entrevista a Relatório Bancário, Pinheiro ajuda a entender o que é o benchmarking e sua aplicabilidade. Relatório Bancário publica também um exclusivo estudo da Compass comparando o desempenho dos bancos instalados no Brasil com seus pares ao redor do mundo.


Relatório Bancário - O conceito de benchmarking é bastante corriqueiro na mídia especializada, mas existe realmente uma cultura de uso desta metodologia no Brasil?

Alfredo Pinheiro - Nos grandes conglomerados, principalmente em empresas globais de setores mais organizados, a prática é bastante disseminada e muitas vezes bem conduzida. Mas ainda há necessidade de evangelização sobre o conceito no País. Nessa medida, podemos considerar que a Compass tem um papel ainda desbravador, pelo menos no que se refere à propagação da cultura de benchmarking numa parte considerável da comunidade de gestores. Afinal, podem se contar nos dedos de uma única mão as ofertas de consultoria nesta área.

RB - Não há uma excessiva sofisticação na forma de se apresentar esta prática? Como o Sr. definiria sumariamente o benchmarking?

Pinheiro - Falando em termos taxativos, “benchmarking” quer dizer comparação. Assim, de um ponto de vista simplista, poderíamos até dizer que todos fazem benchmarking, já que a tendência por comparar é algo quase compulsivo no ser humano.

Estamos comparando o tempo todo em nossa vida corrente e, da mesma forma, nos negócios. Mas quando se trata de comparação em termos corporativos, é necessário que se disponha de instrumentos para a definição de indicadores claros e compatíveis. Caso contrário, qualquer exercício nesta área é contraproducente e está a quilômetros de distância do que podemos chamar de “benchmarking”.

RB - O que é uma comparação correta e como é possível obtê-la?

Pinheiro - O primeiro requisito para um benchmarking de fato está localizado em dois pontos: primeiro, um conjunto de indicadores adequados para a comparação com vistas aos fins desejados. E, segundo, um ponto de referência considerado “ótimo” para cada um destes indicadores.

Sabe-se que uma boa comparação para o diabético está em acompanhar a flutuação da sua taxa de açúcar e na manutenção desse indicador num certo patamar tido por “correto”. Mas para efeitos concretos, além de medir o açúcar será preciso estabelecer relações, por exemplo, entre o nível glicêmico do paciente e seus hábitos alimentares, para que ações de regulação possam ser viabilizadas.

E além das medições no próprio paciente (em que se compara um estado anterior com o atual para a composição de gráficos históricos), é preciso confrontar os eventos relativos a este paciente com os de outros devidamente perfilados para efeitos de definição de um patamar desejável ou indesejável...

RB - O Sr. refere-se a comparações endógenas e exógenas...

Pinheiro - Exatamente. Além de ajudarmos as empresas a estabelecer indicadores de desempenho relativos a sua própria performance história, o grande trunfo de empresas como a Compass está em suas bases de dados contribuídas, que trazem milhões de indicadores de dezenas de milhares de corporações em todos os ramos de atividade e com os mais diversificados perfis. Com isto, após aplicar metodologias científicas para a definição de métricas, podemos contrastar os resultados de cada parâmetro com o de outras empresas com o perfil previamente determinado. É isto, em síntese, que chamamos benchmarking.

RB - No caso específico da Compass, o que há em sua base de dados?

Pinheiro - Temos informações consistentes de cerca de 20 mil empresas, notadamente com a abordagem sobre o uso de tecnologia. Isto inclui dados e avaliações sobre os investimentos em TI empregados em relação a níveis de desempenho industrial, administrativo, comercial e financeiro.

RB - Mas como se chegou a isto? Não há quebra de privacidade?

Pinheiro - Os dados constantes na base são atribuídos a perfis e não a empresas específicas. O ponto de partida da Compass veio de um consórcio de empresas que resolveram compartilhar indicadores para benefícios recíprocos. E aí entravam nomes como Volvo, Ericsson e SKF. A partir deste consórcio, em 1982 surgiu uma divisão de métricas do Gartner, que depois resultou na Compass MC.
 
RB - O Sr. pode dar um exemplo de benchmarking bem sucedido?

Pinheiro - O mundo inteiro está cheio de exemplos deste tipo. Mas para não entrar em casos de empresas específicas, vou citar o sistema mundial de contabilidade. Com poucas e irrelevantes exceções, criou-se um sistema de métricas capaz de propiciar um relacionamento altamente eficiente e inequívoco entre gestores do mundo inteiro.

Será uma verdadeira revolução quando os gestores dos bancos atingirem este nível de precisão terminológica - ou metrológica - na abordagem dos assuntos de aplicação da tecnologia ao negócio.

 

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Compass Compara Bancos do País e do Exterior

O Diretor Geral da Compass MC, Alfredo Pinheiro analisou dos dados gerais do setor publicados por Relatório Bancário no Anuário Brasileiro dos Bancos 2006 e apontou alguns dados interessantes. O lucro médio por funcionário dos grandes bancos brasileiros (ou estrangeiros instalados no Brasil) situa-se em R$ 25 por funcionário, contra cerca R$ 340 por funcionário dos grandes bancos estrangeiros instalados no resto do mundo.

Alfredo Pinheiro explica que a avaliação sobre os dados do Anuário limita-se a comparações entre os dados listados na publicação com dados extraídos da base da Compass. Trata-se, portanto de um simples exercício da metodologia, sem colocar em questão a consistência dos dados da publicação e sem definir propósitos para o estudo.

“Seja como for, algumas comparações são curiosas e podem ser úteis para uma visão panorâmica sobre o setor de bancos no Brasil em face do desempenho no mundo”, assinala Pinheiro.