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Sistemas Legados Desafiam o Setor
Instituições financeiras e fornecedores se unem para disciplinar a convivência do antigo com o moderno
Nas grandes corporações brasileiras não há espaço para se cogitar o fim dos sistemas legados, base da maior parte das operações consideradas críticas para o negócio. Para que os riscos operacionais desses sistemas possam ser reduzidos, os gestores de Tecnologia da Informação assumem a necessidade de formular políticas que harmonizem o convívio entre os ambientes "antigos" e "modernos".
Essa interação, obrigatória no mundo da TI, foi tema de seminário promovido pela Relatório Bancário. Foi consenso entre os participantes do evento que uma série de regras deve ser incorporada ao dia-a-dia da área de TI, entre elas, ganham destaque, a redefinição e renegociação dos contratos e acordos de SLA (Service Level Agreement).
Automatizar a evolução do legado também é uma prioridade, mas para isso, admitem os gestores, é preciso método e estratégia. Eles afirmam ainda que garantir a evolução do legado é questão de sobrevivência para as instituições e fornecedores de tecnologia. Implementar as melhores práticas de gestão desponta como a saída para disciplinar os diferentes ambientes.
Bancos e fornecedores terão que se unir para administrar os riscos operacionais dos sistemas legados. Disciplina para harmonizar a convivência do antigo com o moderno é mais do que precisa
Quanto mais veloz é o ritmo das evoluções, maior é a acumulação de legado de tecnologia, ao considerarmos que “legado” é aquela porção da estrutura de TI que guarda mais relação com o passado do que com o futuro. Enquanto os sistemas novíssimos têm estoque de funções virtuais a serem implementadas, o que se denomina legado, segundo um senso comum, é a parte que esgotou a gama de funcionalidades intrínsecas.
No mundo de TI essa diferenciação coloca o administrador diante de um dilema: sucateia-se este componente de legado ou parte-se para a sua revitalização, integrando-o às novas camadas através de funcionalidades induzidas?
Para os participantes do Seminário Legado & Evolução, promovido, em outubro, pela Relatório Bancário, a questão é crucial para o dia-a-dia dos negócios.
O diretor de tecnologia do Serpro, Sérgio Cangiano, observa que no Governo não há espaço sequer para cogitar a abolição rápida de legados. Mais do que isso: cada mudança precisa ser classificada como uma operação crítica. "Atuar como “ornitorrinco” é condição de existência – e não uma escolha - para uma estrutura de TI que atende milhares de prefeituras, aduanas, órgãos públicos em geral e, ao mesmo tempo, ainda tem que oferecer assinatura digital e aplicações web-based em escala de utitlity para o cidadão”, reforça.
Cangiano, a propósito, lembra que além do legado de TI que vai se criando internamente, grandes empresas, como o Serpro, acabam herdando sistemas – os mais heterogêneos possíveis, através de prefeituras, ministérios, autarquias e clientes, que terminam se conectando à rede de serviços, impondo sempre algum tipo de customização significativa para a arquitetura de Tecnologia da Informação.
“Um aspecto a se observar é o nível de comprometimento do legado com os custos operacionais. O nível de exposição a riscos (ou custos) é algo que se relaciona diretamente com as disposições de Basiléia 2”, assinala por sua vez, Keiji Sakai, CIO do Deutsche Bank.
Ele ressalta que a questão da administração de custos é especialmente difícil quando se consideram ambientes ‘contribuídos’. Ou seja, são aqueles ambientes construídos por diferentes equipes, ao longo de vários anos, e com a participação de pessoal interno e de terceiros.
“No Deutsche adotamos práticas de BPM, mas de nada adianta tudo isto se esta disciplina de TI não atingir o fornecedor. Daí a necessidade de uma relação cada vez mais próxima”, assinala Sakai.
Os grandes bancos usuários, completa ainda Sakai, precisam voltar parte de sua atenção para garantir a evolução do seu fornecedor como forma de viabilizar a própria eficiência. “Se o banco usa o seu poder econômico para atrair funcionários da empresa terceirizada, em médio prazo, esta prática volta-se contra ele próprio, uma vez que o modelo de terceirização é, em certa medida, inevitável”, considera o CIO do Deutsche Bank.
Na Caixa Econômica Federal (CEF), instituição que tem 2.274 agências, 1.059 postos de atendimento e 8.869 correspondentes bancários, a convivência com os sistemas legados é ainda mais complicada. Para contornar os conflitos, a empresa investe numa abordagem de TI orientada a serviços que procura elevar o legado à condição de vantagem competitiva.
A CEF tem, atualmente, 346 sistemas empresariais e 152 sistemas corporativos. Dos corporativos, 62% são de missão crítica, segundo o supervisor de desenvolvimento e manutenção de sistemas da CEF, Flávio Silveira. Além disso, há ainda mais 45 outros projetos novos que serão entregues, antecipa Silveira.
Para que os riscos (operacionais) dos sistemas legados sejam eliminados ou ao menos reduzidos, o CIO do Deutsche Bank, Keiji Sadai, lista uma série de sugestões: conscientização dos fornecedores, que precisam evoluir para sobreviver, inclusive com a adoção de práticas de governança de TI, investimento em P&D e revisão dos modelos de licenciamento e contratos; investimentos de capital internacional; aliança com grandes empresas de tecnologia (ou seja, empresas locais aliadas às que fornecem em nível global); capacitação e retenção de recursos humanos; e financiamento do BNDES para garantir a evolução do legado, o que compreende a evolução de pessoas e de empresas do seu entorno.
Sakai admite ainda que as instituições financeiras têm de assumir a responsabilidade pelos riscos operacionais, com a implementação de algumas práticas como: parceria com fornecedores para financiar a evolução tecnológica dos produtos; negociação com as empresas para a adoção de práticas de gestão e controles; redefinição e renegociação de contratos e acordos de SLA (Service Level Agreement), com cláusulas que exijam qualidade; e sinergia de projetos entre bancos e fornecedores.
“O maior foco de problema está na intervenção humana e suas múltiplas sobreposições ao longo do tempo; é preciso automatizar a evolução o mais possível e para tanto é necessário método e estratégia”
A preocupação de Sakai é referendada por Alfredo Pinheiro, diretor geral no Brasil da multinacional de consultoria Compass MC.
“A questão do legado suscita, quase sempre, um esforço de redução de custos, como se o legado fosse, em síntese, aquele peso a ser carregado pela instituição”, comenta Pinheiro. Na opinião do executivo, as empresas erram, porém, ao partir para cortes lineares, sem um plano equivalente ao “business-plan”, que precede os investimentos.
“Planeja-se muito na hora de investir, mas não para desinvestir, mas o corte simplesmente linear pode perturbar todo o sistema, além de representar custos muito mais altos, em face das perdas produtivas”, alerta o consultor.
Durante a sua palestra no seminário Legado & Evolução, Pinheiro apresentou a metodologia da Compass para a “fatoração” dos custos em sistemas heterogêneos complexos, metodologia esta, que embasa os processos de gestão de mudança.
A existência do legado nada mais é do que um indicador da necessidade da mudança, acrescenta ainda o diretor da Compass. Segundo ele, enfrentar a obsolescência como um dado inerente à tecnologia é diferente de enfrentá-la como perda.
É preciso, assim, que existam métricas capazes de identificar e isolar a perda, de modo a oferecer bases de gestão para a atividade inovadora. “O maior foco de problema está na intervenção humana e suas múltiplas sobreposições ao longo do tempo; é preciso automatizar a evolução o mais possível e para tanto é necessário método e estratégia”, completa o CIO do Deutsche Bank, Keiji Sakai.
Ainda durante o seminário Legado e Evolução, Cassiano Lopes, diretor Comercial de Projetos da APC, apresentou um estudo detalhado de controle de custos em sistemas de energia aplicável em Centro de Processamentos de Dados de grande porte. A representação gráfica integral da exposição está disponível no site deste jornal.
“Planeja-se muito na hora de investir, mas não para desinvestir, mas o corte simplesmente linear pode perturbar todo o sistema, além de representar custos muito mais altos, em face das perdas produtivas”
Lições Práticas
Adote essas medidas e combata os riscos operacionais
- Conscientização dos fornecedores;
- Investimento em P&D e revisão dos modelos de licenciamento e contratos;
- Investimentos de capital internacional;
- Aliança com grandes empresas de tecnologia (ou seja, empresas locais aliadas às que fornecem em nível global);
- Capacitação e retenção de recursos humanos;
- Busque financiamento do BNDES
FONTES: EMPRESAS ENTREVISTADAS
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