
GOVERNANÇA VALORIZA A TI
Um auditório lotado e interessado assistiu uma intensa troca de idéias durante o “4º Seminário de Outsourcing para o Segmento Financeiro”, realizado pela Relatório Bancário e que envolveu representantes de grandes bancos nacionais, executivos de tecnologia e mais de 100 representantes de bancos e da área de tecnologia que discutiram os desafios para a adoção de processos de Governança aplicados à Tecnologia da Informação nos bancos e os desafios do Outsourcing.
O auditório tomado por executivos da área financeira e de grandes corporações comprovou a importância
da grade temária do evento
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As apresentações contaram com a representação de executivos conhecidos como Roberto Nogueira Zambon, superintendente nacional de gestão estratégica de TI da Caixa Econômica Federal, que abordou como o banco desenvolve suas iniciativas em terceirização e governança; Eduardo de Vasconcellos, sócio diretor da Modulo Enterprise Consulting, que compartilhou com o publico as diversas vertentes envolvidas em um projeto de governança; Glória Guimarães, diretora de TI do Banco do Brasil, que mapeou como o BB estrutura seus serviços; e Luiz Ritzmann, diretor executivo de produtos e mercados da Visanet e Gianni Ricciardi, consultor de governança da empresa que mostrou como a companhia enfrentou os desafios de mapear seus processos na área de TI.
Melhores práticas

Zambon, da Caixa,
destacou a importância do
planejamento
e a
adoção das melhores práticas
em TI
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Na visão de Roberto Zambon, a governança aplicada à área de tecnologia é algo que sempre foi feito, já que as empresas sempre precisaram de processos e de controle. “O que aconteceu com o movimento da governança é que os manuais foram desengavetados. Em alguns momentos parece ser falar do óbvio, mas evoluímos para saber o quanto deste óbvio a gente pratica, ou seja, resgatamos as melhores práticas”, afirma.
Segundo o executivo, o projeto de governança se alinhou com toda uma mudança no modelo de gestão da Caixa, que começou em junho e foi finalizado neste mês, e que privilegia a agilidade. “É o velho drama da tecnologia, que nem sempre atende às expectativas das áreas usuárias quanto ao tempo. Querem um mês, mas as condições técnicas só nos permitem entregar em dois”, diz Zambon. A mudança na Caixa passou pela redução dos níveis de decisão para privilegiar as decisões rápidas, evitando a criação de comitês e comissões.

Roberto Nogueira Zambon
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Mas como o banco é público, essa governança foi estabelecida em conformidade com as regulamentações internas e externas e pesando a importância da instituição para o mercado e para o governo. O projeto, visando a busca de valor e a conformidade com as normas vigentes, envolveu o uso da metodologia Cobit para efeitos de monitoração e controle, conformidade com maturidade e melhores práticas, o desenvolvimento de um Balanced Scorecard em 2006, com uma fase de planejamento, seguido da implantação de ações de melhoria em melhores práticas ao longo deste ano e a avaliação do processo de tomada de decisão na área de TI. O executivo ressaltou ainda a importância do controle de processos para o sucesso dos projetos de TI. “De mais de uma centena de projetos em andamento, os 12 projetos que estão totalmente sob nossa tutela contam com prazos, custos e qualidade dentro do previsto”, explica o executivo.
Dentro desses objetivos, a Caixa ainda mantém o plano de atingir o nível de maturidade 4 em todos os processos definidos no ITIL até 2010, por meio de treinamentos formais e pela avaliação do nível de maturidade da equipe e dos processos locais.
Mudança de percepção

Eduardo Vasconcellos ajudou os presentes a mapear todas as implicações de um
projeto de governança
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Fornecendo um verdadeiro check list para qualquer empresa interessada em implementar um projeto de governança, Eduardo Vasconcellos, sócio diretor da Modulo Enterprise Consulting centrou sua apresentação no mapeamento de diversas vertentes que afetam a implantação desse tipo de projeto, divididas por categorias e sub-categorias, e ainda considerando, em cada caso, quais as metodologias de tecnologia aderentes a cada tipo de necessidade e processo dentro de uma área de tecnologia.
“É claro que a empresa não precisa necessariamente adotar todos os modelos para todas as atividades que desenvolve. Ela tem a liberdade de implementar esse tipo de mapeamento e processo de governança em partes, de acordo com o nível de criticidade de cada área”, afirma.

Eduardo de
Vasconcellos
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Segundo o executivo, uma das principais características que norteia o interesse pela governança é o movimento em busca do valor da área de TI. “A área de tecnologia não tinha por hábito trabalhar a percepção externa de sua contribuição à organização”, comenta. O executivo também ressalta que os projetos de governança são importantes porque criam uma estrutura de responsabilidades para os projetos envolvendo a TI. “E governança é mais: o simples administrar os recursos é gerir, manter o que já funciona. Governança é orientar essa administração, suas escolhas, em alinhamento com a estratégia de negócio, recursos, ativos, pessoas e objetivos”, afirma Vasconcellos.
A importância da gestão

Glória Guimarães
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Já em sua apresentação, a diretora de TI do Banco do Brasil, Glória Guimarães, falou sobre como o BB está combinando partes das metodologias Cobit e ITIL juntamente com as melhores práticas do mercado para aproveitar quais conceitos, fazendo com que os projetos de TI reflitam as decisões das áreas de negócio.
Glória explicou como funciona atualmente a arquitetura do banco e de forma as diferentes divisões operacionais cumprem os objetivos estabelecidos considerando as áreas de desenho, desenvolvimento, implementação e gerenciamento de soluções de TI.
A executiva também destacou as dificuldades enfrentadas por bancos públicos e que restringem a flexibilidade de alguns projetos e processos de contratação, o que o BB procura remediar com treinamentos e capacitação interna. Sobre a parte de outsourcing, Glória afirmou que, hoje, 100% de sua infra-estrutura já está terceirizada junto às empresas Embratel e Oi/Telemar, com SLAs específicos.

Na apresentação da diretora do Banco do Brasil, Glória Guimarães, a importância do planejamento
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Ainda na parte de governança, o BB usa uma estrutura com base num comitê de priorização que define quais projetos merecem entrar na fila de implementação, tarefa amparada por um comitê de estratégia que traduz em linguagem de negócios e para as áreas decisórias, em reuniões trimestrais, quais são os passos dados e de que forma estes suportam as atividades do banco. “A tecnologia tem que ser considerada desde a concepção do produto e não mais tarde, quando os projetos já estão num ponto crítico”, afirmou. A executiva explicou o que acontece às vezes no BB, de uma nova iniciativa ser criada e maturada sem pensar na aderência à estrutura de tecnologia, o que gera problemas para a área, que se vê às voltas com novos projetos que surgem de forma inesperada, obrigando-a a adaptações para acomoda-los no fluxo normal de trabalho.
Criticidade e contingenciamento
Ritzmann, da Visanet: compartilhando experiências sobre governança
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A apresentação da dupla da Visanet, Luiz Ritzman e Gianni Ricciardi, respectivamente diretor executivo de produtos e mercados e o consultor de governança de TI da empresa, se destacou por explicar o processo de implantação da governança dentro da organização, com todos os seus percalços. Ritzman, por exemplo, destacou a criticidade dos sistemas para a operação da empresa, uma característica comum aos bancos. “Isso leva a Visanet a fazer o contingenciamento de absolutamente tudo”, afirmou.
Já o consultor de governança, Ricciardi, explicou que o projeto de governança foi pensado como uma forma de promover o alinhamento da TI com os negócios, considerando as necessidades de mudança e respeitadas as arquiteturas existentes e a performance das operações. “A comunicação consistente com as áreas envolvidas foi mantida ao longo de todo o programa de governança”, disse.
Ele destacou também a importância da fase do GAP Analysis (método para comparar a peformance atual de um processo com seu potencial máximo) em busca de indicadores para a melhoria da produtividade. “É difícil provar o ROI da área de TI, já que os benefícios diretos nem sempre são palpáveis”, comentou.

Luiz Eduardo
Ritzmann
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Ricciardi também destacou que, na implantação dos projetos, sempre havia o conceito de que todos eram estratégicos dentro da companhia, então como saber quais os prioritários? “Procuramos priorizar as necessidades do negócio como um todo. Não é algo fácil de fazer e não há uma receita, um modelo único de como se faz. É preciso que cada empresa verifique quais processos são críticos para ela naquele momento”, explicou.
“Ricciardi ainda frisou para a audiência a importância do cuidado no mapeamento dos processos. “Há uma diferença enorme entre a modelagem formal de processos, o chamado processo desenhado, e o processo rodando”, explicou. Segundo o executivo, os processos baseados apenas em método e que não consideram a aderência à realidade da empresa podem não servir para nada.

'Ricciardi: a importância
da comunicação
e do
gerenciamento
de
mudanças
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Por fim, o consultor de governança explicou que todo processo do gênero acaba afetando diversas pessoas e equipes, o que reforça a necessidade de considerar também o impacto das mudanças no dia a dia das pessoas. “É normal enfrentar oscilações de humor, e há momentos em que há a negação da mudança e até oposição, mas é preciso empenho para vencer estas fases e chegar até o ponto do ciclo em que a mudança é assimilada e os objetivos alcançados. Só é preciso cuidado para não tentar muitas mudanças simultâneas ao mesmo tempo, porque isso pode impactar negativamente nas pessoas”, ressaltou Ricciardi.
"A palestra foi elogiada por Alfredo Pinheiro, presidente da Compass Consulting, mediador do evento. “Foi um primor pela clareza, acuidade e por uma definição clara dos desafios da governança”, afirmou Pinheiro. O executivo reforçou a importância do mapeamento dos processos em projetos desta natureza e a necessidade de uma visão madura sobre a gestão de TI dentro das organizações."
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Alexandre Barbosa, editor do site Relatório Bancário e Alfredo Pinheiro, presidente da Compass Consulting: elogios à apresentação de Ricciardi pela acuidade dos
desafios da governança.
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