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SEMINÁRIO DISCUTIU A TRANSFORMAÇÃO DO RISCO EM OPORTUNIDADE

(Evento reuniu alguns dos mais atuantes especialistas em risco e compliance do País)

Representantes dos bancos ABN e do Bradesco, além das empresas de consultoria Integral Trust e Deloitte participaram do seminário “Basiléia II: Dead Line à Vista”, que também contou com a presença de representante da APRISCO – Associação Profissional do Risco.

Contando com uma platéia de cerca de 80 executivos de tecnologia e de áreas de risco e compliance do setor financeiro, o Seminário abordou temas como a Resolução 3380 e suas exigências para curto e médio prazos; a globalização do setor bancário e os novos marcos regulatórios sintetizados pelo tratado de Basiléia II, além de aspectos tecnológicos, administrativos e contábeis envolvidos na discussão sobre o tema.

ABN: O Lucro Avaliado Frente ao Risco

Carlos Viana
Carlos Alfredo Vianna - Diretor Superintendente de Auditoria e Gestão de Risco do Banco ABN Amro Real
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O diretor superintendente de Gestão de Risco e Auditoria do Banco ABN Amro Real, Carlos Alfredo Vianna analisou enunciados do tratado de Basiléia que tocam no processo de supervisão bancária e buscam encorajar os bancos a desenvolver e aplicar as melhores técnicas de gestão. Vianna enfatizou também a necessidade dos bancos adotarem processos de supervisão capazes de garantir uma adequação entre o perfil de risco de cada banco e suas estratégias de manutenção dos níveis de capital.

“É preciso enxergar o aspecto positivo da regulamentação e não apenas os ônus”

Apresentando o case do Banco ABN, o diretor mostrou de que forma a instituição vem conseguindo medir internamente o seu requerimento de capital, e como é realizada a sua gestão. De acordo com o executivo, o risco é, efetivamente, um balizador da maior importância para se avaliar o desempenho das instituições e as determinações de Basiléia apresentam o aspecto positivo de colocar as coisas no seu devido lugar. “Muitas vezes, o lucro líquido menor pode estar associado a um negócio com avaliação global muito melhor que outro de maior lucro líquido, porém com exposição ao risco mais elevada”, assinala Vianna.

Troster: Transformar o Custo em Receita

Roberto Luis Troster
Roberto Luis Troster - Economista da Integral Trust
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O Economista da Integral Trust, Roberto Luís Troster, enumerou e analisou a complexidade de etapas e indicadores que compõem o cockpit de gestão compatível com as exigências de Baliléia II e exemplificam uma ampla gama de modelos de relatórios envolvendo fraudes, riscos trabalhistas, danos a ativos físicos, etc.

Após destacar a exigência de mapeamento, categorização, registro e auto-avaliação dos riscos, Troster partiu para a exposição de modelos de classificação de perdas e seu gerenciamento, apresentando as práticas consideradas mais adequadas para responder aos requisitos da Resolução 3380 do Banco Central.

Na avaliação de Troster, após a montagem do correto cockpit, contendo as milhares de variáveis relativas à incidência e controle do risco, o próximo passo dos bancos será transpor a barreira que vai da realização de custos para a realização de lucros.

“É preciso ter em mente que o controle rigoroso de riscos abre novas oportunidades de ação para os gestores do negócio e impactam diretamente sobre a redução das perdas. Daí, não será uma mágica muito complicada transformar essas despesas atuais em receitas futuras”, assinala Troster.

Deloitte: Trabalhar para o Negócio e não para o Regulador

Ives Müller
Ives Pereira Müller - Sócio da Deloitte Touche Tohmatsu
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Para Ives Pereira Müller, Sócio de Gestão de Riscos Empresariais da Deloitte, uma distorção decorrente da complexidade das exigências do Tratado de Basiléia está em mobilizar os gestores das instituições em torno da questão regulatória, sem estabelecer um elo correto entre as medidas adotadas e os benefícios que elas devem trazer para o negócio-fim. “A impressão que se tem é de que muitos dos grupos de trabalho envolvidos em processos de conformidade dos bancos parecem estar trabalhando para o regulador e não para o negócio”, assinala Müller. 

Segundo ele, o papel dos formadores de conceito – como é o caso da Deloitte – está em ajudar estas equipes a encontrar o caminho que liga a adoção de práticas rigorosas de gestão com as premissas de negócio de cada banco.

“É preciso encontrar o elo entre o marco regulatório e a eficiência do negócio"

Depois de detalhar passo a passo a montagem de uma estratégia de racionalização de riscos e controles associados, o executivo da Deloitte apresentou uma nova visão sobre alguns dos paradigmas mais notáveis associados à gestão de risco. “Ao invés de apenas proteger recursos existentes, a nova abordagem deve dar conta desta proteção e também dos riscos associados ao crescimento futuro; ao invés de gerenciar apenas eventos negativos, trata-se de buscar decisões bem informadas sobre riscos e eventos; ao invés da aversão ao risco, trata-se da tomada inteligente de riscos em função das oportunidades a que eles se associam”, completa Müller.

Bradesco: Reduzir Perdas é Obrigação de Todos

Marcelo Petroni Caldas
Marcelo Petroni Caldas - Gerente de Risco & Compliance do Bradesco

A partir de um minucioso acompanhamento da agenda de ações do Bacen em direção a Basiléia II, e particularmente em relação à resolução 3380, o Gerente de Risco & Compliance do Bradesco, Marcelo Petroni Caldas, traçou um panorama sobre a situação do Brasil no quadro de Basiléia II e apresentou as diferentes abordagens de alocação de capital frente às variáveis de risco.
 Numa avaliação altamente técnica da questão, Petroni Caldas descreveu as abordagens de avaliação para alocação de capital do tipo Básico (BIA), Padronizado (STA), alternativo (ASA2) e Avançado (AMA).

De acordo com o executivo, um dos maiores desafios das equipes de compliance está em definir e identificar os indicadores chaves de riscos, capazes de descrever eventos relativos à perda efetiva, perda esperada, valores de risco, perda inesperada e excedente de valor de risco.

Após detalhar estas e outras variáveis, Petroni Caldas apresentou a experiência do Bradesco, que envolveu 16 departamentos do banco, e mais cinco empresas coligadas e três agências no exterior.

De acordo com Petroni Caldas, antes de atender a Basiléia II, o primeiro requisito para os bancos está em buscar processos eficientes de gestão. “Ao contrário do que muitos pensam, a qualidade da gestão não é exatamente uma decorrência do controle eficiente, mas deve ser encarada como o seu pré-requisito. Daí que, ao invés de perseguir o controle ótimo, deve-se buscar a eficiência máxima do processo de gestão, tendo a conformidade à norma como um desdobramento”, assinala Caldas.

O executivo chama atenção ainda para a necessidade de um engajamento de todos os departamentos do banco para a facilitação dos processos de controle das perdas operacionais. Ele aconselha cuidados para a segregação dos resultados brutos, com base nas abordagens técnicas especificadas pelo mercado, e para uma análise cuidadosa do custo/benefício dos métodos de avaliação de alocação de capital (BIA, STA, ASA, ASA e AMA).

Leia Artigo de co-autoria de Petroni Caldas sobre Basileia II clicando aqui

“A informática nem sempre tem os ouvidos atentos para as questões regulatórias

“Pela experiência do Bradesco, podemos afirmar que o gestor de risco deve assumir um papel importante, como líder de uma atitude gerencial que deve permear toda a organização. Ou seja, a gestão do risco pertence a uma área específica, com conhecimentos técnicos específicos, mas a obrigação de mitigar riscos e perdas é parte da responsabilidade de todos os funcionários e colaboradores”, conclui Caldas.

Ao debater com o diretor da Aprisco, Francisco Camargo, o executivo do Bradesco levantou que um problema a ser equacionado em relação a Basiléia II está na dificuldade de comunicação entre as equipes de gestão de risco e os responsáveis pela área de tecnologia. “Embora muito do nosso trabalho aponte para a necessidade de alinhamentos técnicos, nem sempre encontramos, junto aos técnicos de informática, um nível de envolvimento com a questão realmente compatível com as exigências técnicas do assunto”, comentou o diretor.

Aprisco: Aversão ao Risco não Ajuda

Francisco Camargo
Francisco Camargo - Diretor da APRISCO - Associação Profissional do Risco - e presidente da CLM
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O diretor da Associação Profissional do Risco, Francisco Camargo, iniciou sua palestra com uma história do conceito de risco – cuja gênese situa-se com o surgimento da carta de crédito, na época das Cruzadas – e estabeleceu uma minuciosa decupagem  do conceito em diversos ramos de atividade.

Entre as conclusões do executivo, está a de que o risco operacional é toda a parte do risco que não contribui diretamente para o negócio-fim dos bancos; e que cabe à boa gestão operar corretamente o risco, em função das premissas de negócio. “Pode-se dizer que o core-business dos bancos é, em grande parte, este equacionamento entre oportunidade e risco. De modo que a aversão ao risco é um dos elementos mais contraproducentes, do ponto de vista da administração do negócio bancário”, assinala Camargo.

“A oportunidade está exatamente em assumir o risco certo”