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Banking AnyWhere

Tem Banco Até no Pager

A naturalidade e rapidez com que o mobile banking e as novas formas de atendimento entram na vida do cidadão surpreendem especialistas como Gabriela Cantuária, uma das gerentes responsáveis pelo projeto de mobile do Banco do Brasil, hoje, o mais avançado na área.

“Quando há cinco anos iniciamos a primeira experiência de Wap do País (por sinal, não muito bem aceita), não era possível imaginar que estaríamos tão rápido no estágio atual onde quase não há restrições para aplicações via celular”, afirma a executiva.

Se o celular já admite operações que vão do pagamento de títulos à TED, uma série de dispositivos como os POS, a Web, o telefone fixo e até mesmo os pagers (agora ressuscitados) convergem de forma cada vez mais “natural” para o cenário que, alguns, classificam como banco sem limite geográfico (ou “banking anywhere”).

Para entender os motivos que levam as instituições financeiras a apostar na modalidade, a Relatório Bancário promoveu, no mês passado, um seminário sobre o tema, contando com a presença de representantes da Telemar, Tecban e WAPPA, além da próprio Banco do Brasil.

Na platéia, um seleto grupo de executivos de bancos e diretores de empresas de TI mostraramse surpreendidos com algumas das sugestões encaminhadas pelos expositores. A afirmação que mais causou polêmica foi a de que o celular viria suprimir de uma vez por todas as chances do cartão chipado – uma tecnologia já velha para os moldes do mundo tecnológico, uma vez que surgiu há cerca de dez anos, e que nunca deixou o papel, por esbarrar sempre em alguma outra mais simples e competitiva. Simplicidade, aliás, é a alma do negócio, apesar do forte apelo da sofisticação.

Os expositores, inclusive, foram unânimes em apontar que as soluções direcionadas para o público de maior poder aquisitivo – chegou-se a citar o Blackberry da TIM – são ótimas para atender as elites corporativas, mas não funcionam para impulsionar o crescimento do mercado. O representante da Telemar, Roni Waimberg, comemorou a “repaginação” da Oi, para o lado corporativo, com produtos como o email móvel e a agenda online, que garantem serviços avançados a partir de celular GSM.


Luiz Pedut, Presidente da Wappa

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“Enquanto muitos achavam que o vendedor ambulante iria utilizar pagers, ficando o uso do celular orientado para a elite, hoje, as aplicações de pagamento usando pagers estão se disseminando em grandes redes de restaurantes. Já o homem do cachorro quente está prestes a adotar o celular como meio de pagamento”, exagera o presidente da Wappa, Luiz Peduti.

De fato, a análise do empresário parece coincidir com os fatos, quando o executivo diagnostica que o crescimento do celular como meio de pagamento no Brasil se deve, em parte, à criatividade “tupiniquim”: ao invés de apostar na isseminação de dispositivos tecnologicamente possantes ou específicos – como parece ocorrer na Coréia – os brasileiros investem na tecnologia mais à mão.

Mesmo com poucos recursos, cada um dos 80 milhões de celulares nas mãos do usuário local é convertido, num estalo, em base de atendimento bancária ou comercial, através da exploração, por exemplo, de aplicações de SMS.

Mas nem por isto, é claro, a evolução é irrelevante. Não fossem os avanços da mobilidade não haveria a integração do pager com o POS, e na cadeia, deste com o celular. Depois de uma mal-sucedida operação com WAP, no início desta década, o Banco do Brasil agora acredita que é possível retomar à tecnologia com grandes vantagens para o usuário e para a instituição. Em novembro, o BB deve se tornar o primeiro usuário nacional de mobilidade com WAP 2.

Transações por celular avançam no BB


Gabriela Cantuária - Gerente de Sistemas do Projeto Mobile

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Caminhando lado a lado com a estratégia de “ampliação de assinantes pela base e pelo topo” (isto é pelas camadas mais numerosas da sociedade e, ao mesmo tempo avançado pelo pico da pirâmide), a política de mobilidade do BB não admite muitas brechas.

Contempla, na prática, a realização de acordos com o máximo possível de operadoras; usa desde tecnologias mais avançadas e elitistas, até aplicações palatáveis para os mais elementares aparelhos pré-pagos do mercado.

O sabor das aplicações também não gosta de limites. As transações de mobile banking mais efetuadas do Banco do Brasil são: extrato de conta corrente, com 38%; saldo, com 35%; recarga de celular, 21%; transferências entre contas do Banco do Brasil, 2%; pagamentos, 1%; saldo de poupança, 0,16%; DOCs, 0,13%.Mas o sistema admite ainda outras transações, como empréstimo e doações para o programa federal “Fome Zero”.

Os dados foram fornecidos pela gerente do Projeto Mobile do BB, Gabriela Cantuária, durante o seminário “Banking-Anywhere”, realizado mês passado pela Relatório Bancário. Pioneiro no segmento, o BB tem 110 mil usuários de mobile banking.


Ricardo Higa - Diretor da TECBAN

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A executiva do Banco do Brasil, lembra que nesse total não estão contabilizados os eventuais assinantes da Claro, com quem o banco acabou de fechar contrato, nem os da TIM, com a qual ainda não tem contrato. O BB já trabalha com a Vivo, CTBC e Telemig Celular.

Seus usuários realizam 304 mil acessos mensais e fazem 339 mil transações no mês. “Esse número está um pouco baixo porque ainda é uma questão de cultura”, argumenta Gabriela Cantuária. O próximo passo do BB será oferecer a solução Mobile GSM, que o banco já tem em parceria com a Oi e a BrT para as demais operadoras.

Sofisticação demais NÃO AJUDA

Celular desponta como o futuro sucessor dos cartões de crédito e débito. Será que isso pega no Brasil?

Enquanto no Japão e na Coréia do Sul, o celular já é um wallet (carteira) no dia-a-dia, aqui no Brasil, começa-se a debater se, e quando, o aparelho móvel substituirá os cartões de débito e crédito. É o conceito denominado como “mobile payment”, no jargão da indústria financeira e de telefonia. Este foi um dos temas do seminário Banking Anywere, realizado mês passado pela Relatório Bancário.


Roni Waimberg, representante da Telemar

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Por esse meio, tudo, inclusive administração de despesas como ticket-refeição, ticket-alimentação, ticket-combustível e até ticket-táxi podem ser “embarcados” no celular, de acordo com o diretor presidente da Wappa Benefícios, Luiz Peduti, empresa criada para prover soluções de pagamento via dispositivos móveis. Enquanto Japão e Coréia desenvolveram sistemas específicos para os pagamentos, a estratégia da Wappa é, justamente, a de absorver a base instalada para fazer pagamentos via celular.

A verdadeira sofisticação está em soluções muito simples e amigáveis, incorporadas aos dispositivos existentes e acessíveis ao assinante. A proposta, no entanto, não inviabiliza o uso dos celulares chipados (GSM), uma solução voltada para os usuários de maior poder aquisitivo.

No entanto, raciocina Pedudi, é preciso trabalhar com o que existe, não se pode desprezar a gigantesca base de CDMA, nem aguardar a 3G para evoluir o mercado. “Foi por ter sempre que enfrentar algo mais prático e mais barato que a tecnologia Smart card morreu na praia e dificilmente irá ressuscitar, embora parecesse fantástica”, sentencia o diretor da Wappa. OI EMPRESARIAL

A Telemar aproveitou o seminário Banking Anywhere para anunciar a “repaginação” da Oi, agora com foco também no corporativo, e ao que parece, adotou o mandamento do diretor da Wappa: sofisticação ajuda quando não atrapalha. De acordo com Roni Vainberg, responsável por ofertas corporativas do Grupo Telemar, ao invés de investir nos smartphones, telefones inteligentes com funcionalidades de PCs, a operadora apostou nos próprios requisitos de segurança e personalização existentes nos atuais terminais celulares, baseados na tecnologia GSM.

Durante o seminário, Vainberg apresentou o Oi Chip Empresa, que permite o controle de chamadas originadas; viabiliza acesso a informações sobre indicadores financeiros e oferece back up dos contatos da agenda na Internet. Já o E-mail Móvel possibilita conexão ao Outlook e Lotus Notes mesmo fora do escritório. Outras novidades são o Telecheque (em que o cliente consulta os cheques recebidos).