
Correspondentes Zeram Municípios Sem Bancos
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Platéia no Seminário Banking Anywhere II |
O modelo de correspondentes bancários (sistema de prestação de serviços típicos dos bancos em estabelecimentos de varejo) conseguiu, em menos de seis anos, a proeza de zerar o número de municípios sem presença de instituição financeira no País. O anúncio foi feito pelo chefe do Deorf – Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Luiz Edson Feltrim, durante o seminário “Banking AnyWhere”, promovido pela Relatório Bancário, dia 29 último, em São Paulo.
Para um auditório com 200 lideranças do setor financeiro, representantes do comércio e da indústria de tecnologia da informação, Feltrim apresentou levantamentos do BACEN mostrando que, ainda em 2000, cerca de 1,6 mil cidades não tinham qualquer tipo
Platéia no Seminário Banking Anywhere II |
de serviço bancário in loco. Segundo ele, esta situação provocava a necessidade de longos deslocamentos da população para atividades simples como pagamentos de conta ou o recebimento de benefícios do INSS. “Ao viabilizar a presença física dos bancos até nos chamados ‘rincões’, o modelo de correspondentes impacta diretamente no aumento geral da renda destas pequenas cidades, na medida em que faz girar as micro-finanças locais e evita a evasão destas divisas para os pólos regionais onde se localizam as agências”, assinala Feltrim.
O Executivo do BACEN apontou ainda que em 2005 os correspondentes receberam cerca de R$ 10 bilhões em depósito e preencheram 6,2 milhões de propostas de novos correntistas que foram encaminhados aos bancos.

Luiz Edson Feltrim - Chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro DEORF - Banco Central |
“Trata-se, por isto, não só de um instrumento social impactante, mas também de um excelente canal de relacionamento das instituições financeiras com as populações de baixa renda ou de regiões distantes”, comentou ele.
Fazendo coro às avaliações de Feltrim, representantes do Lemon Bank, Caixa Econômica Federal, e ABN Amro Real, aclamaram o modelo de correspondente bancário como uma solução rápida e de baixo custo para as políticas públicas de bancarização e para as estratégias do setor financeiro de atingir o enorme filão representado pela economia informal e pelas famílias de baixa renda.
De acordo com Gilberto Salomão, diretor geral do Lemon Bank, o negócio de correspondentes representa uma oportunidade única para o segmento financeiro, já que o modelo tradicional de agências bancárias deixa desguarnecida uma população da ordem de 45 milhões de brasileiros.
Gilberto Salomão - Diretor Lemon Bank Banco Múltiplo S.A |
“Enquanto o número de agências bancárias cresceu apenas 3% entre 2002 e 2005, os correspondentes bancários cresceram 230% no período”, assinala Salomão. Segundo ele, a proporção de correspondentes hoje é de um posto de atendimento para cada 3,9 mil habitantes, enquanto a proporção de agências é de uma para cada 10,3 mil. Em atividade há apenas três anos, o Lemon Bank é o único banco no País a operar exclusivamente com correspondentes bancários e, segundo Salomão, atendeu cerca de 3,2 milhões de pessoas no ano passado.
Caixa Vai Instalar Mais 3,5 Mil Este Ano
Com 4,45 mil correspondentes bancários em todo o território – não contabilizando aí os 8,9 mil correspondentes da rede lotérica – a Caixa Econômica

Roberto Nogueira Zambon – Gerente Nacional do Ambiente Descentralizado – GEADE – Caixa Econômica Federal |
Federal anunciou no encontro da Relatório Bancário que irá formalizar parceria com mais 3,5 mil estabelecimentos comerciais ainda este ano e fará duas licitações para adquirir a solução de tecnologia e serviços exigidos para a expansão. De acordo com Tarcísio Dalvi, Superintendente Nacional de Estratégias de Canais da Caixa, o crescimento do modelo é parte integrante das políticas de desenvolvimento e distribuição de rendas do governo e representa um dos casos mais bem sucedidos de bancarização em nível internacional. O executivo revelou que a distância média entre o cidadão e uma agência bancária – que era de 53 Km no Brasil em 1999, foi reduzida para perto de 3 Km com a evolução dos correspondentes. “Para atingir estes índices tivemos que desenvolver uma complexa gama de tecnologias que vai da estratégia de suprimento de numerário nos locais distantes, até as conexões por satélite para as áreas mais isoladas do território”, comenta ele.
Participação da platéia |
Segundo Roberto Zambon, Gerente Nacional do Ambiente Descentralizado da Caixa, o processo de expansão da rede de correspondentes irá exigir do setor de TI um nível de capacidade que consegue resolver as questões críticas dos correspondentes, que é a pressão por custo baixo e a qualidade compatível com a praticada pelos bancos. “Quanto maior o crescimento do modelo, maior é o nível de remuneração por transação exigido pelo comércio, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão por queda de tarifa”, assinala Zambon. Segundo ele, a Caixa pretende ampliar o nível de terceirização de suas operações de correspondentes para conseguir acompanhar a demanda.
ABN Aposta nos Parceiros

Henrique Brito -
Coordenador Comercial do Correspondente Bancário - ABN AMRO Real |
Mesmo com uma rede de 1142 lojas já integrantes do seu sistema de correspondentes bancários “Pague Aqui”, o ABN Amro Real considera que está apenas engatinhando neste modelo em termos numéricos, o que demonstra o grande interesse da instituição por este tipo de parceria. De acordo com Henrique Brito, Coordenador Comercial do Correspondente Bancário ABN Amro Real, hoje o sistema já atinge 1,2 milhão de usuários, representando 9,3% dos recebimentos do banco. “Na verdade, estamos com 1,87 mil novas lojas já contratadas e prestes a operar, mas tudo isto ainda é uma pequena parte do que prevemos acontecer com a nossa rede de correspondentes”, afirma Brito.
Atentos ao grande crescimento deste filão, os principais provedores de tecnologia para os bancos e o comércio, estão mobilizando suas equipes para a oferta de soluções de correspondentes bancários. Entre eles, a Itautec propõe um sistema completo de outsourcing (terceirização de serviços) que contempla desde os cuidados com a imagem da instituição financeira no ponto de venda do varejo até o planejamento e transporte de valores entre o banco e as lojas conveniadas. “A instituição e o comércio devem cuidar de seu negócio-fim e deixar a operação tecnológica para um fornecedor especializado para não perder o foco do negócio, considera Antônio Bernardino, gerente comercial finanças da Itautec.
Participação da platéia |
Com a proposta tecnológica nesta mesma direção, o presidente da Open Concept, José Gadanha apresentou no encontro da Relatório Bancário um modelo de arquitetura que visa aproveitar a máximo a tecnologia pré-existente nos estabelecimentos do comércio e nos bancos para reduzir o custo da ligação on-line entre as partes. “Temos que garantir flexibilidade, baixo custo e rapidez na ativação de novos pontos, a fim de acompanhar a demanda acelerada de novos correspondentes”, comenta o executivo.
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